Economia

Governo brasileiro prevê manutenção de tarifas dos EUA e prepara resposta diplomática

Brasília considera improvável adiamento das sobretaxas e avalia medidas com base na Lei de Reciprocidade, enquanto empresas americanas pressionam por novas exceções

Por Sputnik Brasil 13/07/2026 11h11
Governo brasileiro prevê manutenção de tarifas dos EUA e prepara resposta diplomática
Empresas norte-americanas pressionam por ampliação das exceções para produtos brasileiros enquanto Brasília prepara resposta diplomática - Foto: © AP Photo / Mark Schiefelbein

O governo brasileiro dá como praticamente certa a aplicação das novas tarifas dos Estados Unidos e já prepara uma resposta diplomática contundente, enquanto empresas norte-americanas pressionam por mais exceções e o governo Lula avalia possíveis retaliações com base na Lei de Reciprocidade.

Segundo jornal de grande circulação, Brasília considera improvável que haja adiamento das tarifas de 25% e 12,5% impostas pelos EUA, já que o prazo para decisão da Casa Branca termina na próxima quarta-feira (15) e autoridades norte-americanas reiteram que o cronograma é “imexível”. Um adiamento só ocorreria por cálculo político.

As tarifas foram propostas pelo ex-presidente Donald Trump após investigações sobre temas como desmatamento ilegal, pirataria e Pix, seguidas por uma segunda rodada de sobretaxas devido a supostas falhas no combate ao trabalho forçado. Em ambas as situações, os EUA apresentaram extensas listas de exceções para mitigar impactos nos preços domésticos.

Negociadores brasileiros avaliam que, mesmo com a confirmação das tarifas, o Departamento de Estado dos EUA pode ampliar o número de exceções, atendendo à pressão de empresas americanas que dependem de produtos brasileiros. O Itamaraty identificou 43 grupos empresariais norte-americanos solicitando a retirada de itens brasileiros da lista, alegando falta de alternativas internas.

Caso as tarifas sejam oficializadas, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva pretende reagir imediatamente com manifestações de indignação. O argumento central, já encaminhado aos EUA, é de que a estrutura tarifária brasileira favorece exportações americanas e que novas sobretaxas seriam “inaceitáveis”. A análise técnica da decisão deve durar alguns dias, incluindo a possibilidade de acionar a Lei de Reciprocidade.

O governo brasileiro também considera improvável que os EUA adiem a medida, uma vez que a política industrial norte-americana tem sido orientada por tarifas, sem concessões a outros países. Se houver adiamento, a expectativa é que venha acompanhado de justificativas para evitar disputas narrativas.

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL, defende publicamente o adiamento e encaminhou manifestações ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), pedindo que a decisão seja postergada para após as eleições. Em audiência nos EUA, Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (atualmente preso por tentativa de golpe de Estado), afirmou que o momento é “o pior possível” para novas tarifas e que elas poderiam beneficiar Lula.

Nos bastidores, diplomatas brasileiros avaliam que figuras ideológicas do governo Trump, como o secretário de Estado Marco Rubio e o assessor presidencial Darren Beattie, podem tentar influenciar o cenário eleitoral brasileiro.

Um eventual adiamento também seria interpretado como gesto político de Trump em favor de Flávio Bolsonaro, após encontros recentes com o senador e com Lula. Enquanto isso, o Brasil busca evitar que a nova rodada de tarifas entre em vigor, em uma escalada iniciada há um ano, quando Trump anunciou uma tarifa adicional de 50% e declarou “caça às bruxas” contra países com balança comercial desfavorável aos EUA.