Economia

Endividamento em Maceió cresce e atinge 83% das famílias em maio

Pesquisa da Fecomércio AL aponta alta da inadimplência e maior pressão no orçamento doméstico, mesmo com estímulos ao consumo como Dia das Mães e antecipação do INSS

Por Redação 16/06/2026 16h04 - Atualizado em 16/06/2026 18h06
Endividamento em Maceió cresce e atinge 83% das famílias em maio
Pesquisa da Fecomércio também mostra que o endividamento deixou de ser uma característica predominante das famílias de menor renda - Foto: Freepik

Os consumidores de Maceió chegaram ao mês de maio em um cenário econômico contraditório. Apesar de estímulos ao consumo, como as vendas do Dia das Mães e a antecipação de parte do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS, aumentou o número de famílias com dificuldades para manter as contas em dia.

Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pelo Instituto Fecomércio de Alagoas em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo o levantamento, 83,2% das famílias da capital possuíam algum tipo de dívida em maio. O índice teve leve recuo em relação a abril (83,5%), mas segue elevado e acima do registrado no mesmo período do ano passado, com alta de 3,6 pontos percentuais.

A inadimplência apresentou piora mais significativa no período. O percentual de famílias com contas em atraso passou de 32,8% para 36% em apenas um mês. Já o grupo que afirma não ter condições de pagar suas dívidas subiu de 9% para 9,6%, indicando maior pressão sobre o orçamento doméstico.

De acordo com o assessor econômico do Instituto Fecomércio AL, Lucas Sorgato, a renda extra do período ajudou parte das famílias a reorganizar as finanças, mas não foi suficiente para reverter o quadro de endividamento acumulado.

Ele destaca que o mês foi marcado por juros elevados e custos ainda pressionados em serviços e itens essenciais, mesmo com sinais de desaceleração da inflação em alguns setores. A antecipação do 13º do INSS também contribuiu para aumentar temporariamente a liquidez das famílias e estimular o consumo.

Faixas de renda

Os dados mostram mudança no perfil do endividamento em Maceió. A parcela de famílias consideradas “muito endividadas” caiu de 16,7% para 15,2%, enquanto aumentou o grupo classificado como “mais ou menos endividado”, que chegou a 43,8%.

Entre famílias com renda acima de 10 salários mínimos, o endividamento atingiu 76,8%, o maior nível do período analisado. Já entre os domicílios com renda de até 10 salários mínimos, o índice chegou a 83,6%.

Apesar disso, a inadimplência segue mais concentrada nas faixas de menor renda. Nesse grupo, 37,7% das famílias têm contas em atraso e 10,7% afirmam não ter condições de quitar as dívidas.

O cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento, presente em cerca de 97,5% dos lares endividados. Em seguida aparecem os carnês de lojas (22,3%) e o crédito pessoal (18,8%), que também apresentou crescimento e pode indicar uso para complementar renda ou renegociar débitos anteriores.