Cooperativismo

Cooperativismo agropecuário movimenta R$ 487,3 bilhões e aposta em tecnologia para crescer

Setor avançou 11,2% em 2025 e amplia o uso de rastreabilidade e sensoriamento remoto para atender às exigências do mercado

Por Redação 04/08/2026 11h11 - Atualizado em 04/08/2026 12h12
Cooperativismo agropecuário movimenta R$ 487,3 bilhões e aposta em tecnologia para crescer
Setor avançou 11,2% em 2025 - Foto: Reprodução

O cooperativismo agropecuário brasileiro movimentou R$ 487,3 bilhões em 2025, crescimento de 11,2% em comparação com o ano anterior. Os dados constam no Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado pelo Sistema OCB.

O resultado reforça a importância das cooperativas para o agronegócio, mesmo em um cenário marcado pela oscilação dos preços das commodities e pela redução das margens de lucro dos produtores.

Para o especialista em inteligência geoespacial aplicada ao agronegócio Ricardo Huffel, o avanço do setor vai além das vantagens tradicionais proporcionadas pela atuação conjunta, como a redução de custos na compra de insumos e o fortalecimento da comercialização.

Segundo ele, as cooperativas têm ampliado investimentos em tecnologia e sustentabilidade para atender às novas exigências do mercado internacional.

“O cooperativismo está avançando em uma transição estratégica que une produtividade, sustentabilidade e aplicação de tecnologia. O mercado global exige garantias, transparência e rastreabilidade. É aqui que entra o grande divisor de águas”, afirmou.

Origem comprovada pode aumentar a remuneração


A rastreabilidade dos produtos tem ganhado importância dentro da cadeia do agronegócio. De acordo com Huffel, a comprovação da origem da produção deixou de ser apenas uma obrigação regulatória e passou a influenciar o acesso a mercados e o valor pago aos produtores.

No mercado da soja, por exemplo, compradores internacionais podem oferecer uma remuneração maior por produtos que apresentem informações sobre a origem e comprovem o cumprimento de critérios socioambientais.

“A sustentabilidade deixou de ser um conceito abstrato para se tornar um diferencial comercial. O comprador exige saber exatamente onde aquele grão foi cultivado”, destacou.

Biocombustíveis e certificações


Outro segmento apontado como oportunidade para as cooperativas é o de biocombustíveis, com destaque para a expansão da produção de etanol de milho.

Segundo o especialista, certificações relacionadas ao programa RenovaBio e a padrões internacionais podem gerar ganhos econômicos para os produtores associados.

“As certificações não são apenas selos. Elas agregam valor direto à saca e transformam a descarbonização em rentabilidade para o produtor”, explicou.

Tecnologia auxilia no monitoramento


Para comprovar o cumprimento das exigências ambientais e atender aos critérios estabelecidos pelos compradores, as cooperativas também têm ampliado o uso de ferramentas de monitoramento das propriedades rurais.

Entre as tecnologias utilizadas está o sensoriamento remoto, que permite acompanhar as condições das lavouras, verificar a preservação de áreas protegidas e identificar possíveis alterações na cobertura vegetal.

As informações obtidas também podem ser utilizadas na elaboração de relatórios e documentos de rastreabilidade exigidos por mercados internacionais.

“O sensoriamento remoto transforma a narrativa de sustentabilidade em dados comprovados”, ressaltou Huffel.

Na avaliação do especialista, a competitividade do agronegócio dependerá cada vez mais da capacidade de aumentar a produção, adotar práticas sustentáveis e demonstrar, por meio de dados, o cumprimento dos critérios exigidos pelos consumidores.

“O agronegócio do futuro não apenas produz mais: ele produz melhor, comprova o que faz e será financeiramente recompensado por isso. As cooperativas entenderam que a união desses fatores faz, e fará ainda mais, a força do agro”, concluiu.