Cooperativismo
Cooperativismo agropecuário movimenta R$ 487,3 bilhões e aposta em tecnologia para crescer
Setor avançou 11,2% em 2025 e amplia o uso de rastreabilidade e sensoriamento remoto para atender às exigências do mercado
O cooperativismo agropecuário brasileiro movimentou R$ 487,3 bilhões em 2025, crescimento de 11,2% em comparação com o ano anterior. Os dados constam no Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026, divulgado pelo Sistema OCB.
O resultado reforça a importância das cooperativas para o agronegócio, mesmo em um cenário marcado pela oscilação dos preços das commodities e pela redução das margens de lucro dos produtores.
Para o especialista em inteligência geoespacial aplicada ao agronegócio Ricardo Huffel, o avanço do setor vai além das vantagens tradicionais proporcionadas pela atuação conjunta, como a redução de custos na compra de insumos e o fortalecimento da comercialização.
Segundo ele, as cooperativas têm ampliado investimentos em tecnologia e sustentabilidade para atender às novas exigências do mercado internacional.
“O cooperativismo está avançando em uma transição estratégica que une produtividade, sustentabilidade e aplicação de tecnologia. O mercado global exige garantias, transparência e rastreabilidade. É aqui que entra o grande divisor de águas”, afirmou.
Origem comprovada pode aumentar a remuneração
A rastreabilidade dos produtos tem ganhado importância dentro da cadeia do agronegócio. De acordo com Huffel, a comprovação da origem da produção deixou de ser apenas uma obrigação regulatória e passou a influenciar o acesso a mercados e o valor pago aos produtores.
No mercado da soja, por exemplo, compradores internacionais podem oferecer uma remuneração maior por produtos que apresentem informações sobre a origem e comprovem o cumprimento de critérios socioambientais.
“A sustentabilidade deixou de ser um conceito abstrato para se tornar um diferencial comercial. O comprador exige saber exatamente onde aquele grão foi cultivado”, destacou.
Biocombustíveis e certificações
Outro segmento apontado como oportunidade para as cooperativas é o de biocombustíveis, com destaque para a expansão da produção de etanol de milho.
Segundo o especialista, certificações relacionadas ao programa RenovaBio e a padrões internacionais podem gerar ganhos econômicos para os produtores associados.
“As certificações não são apenas selos. Elas agregam valor direto à saca e transformam a descarbonização em rentabilidade para o produtor”, explicou.
Tecnologia auxilia no monitoramento
Para comprovar o cumprimento das exigências ambientais e atender aos critérios estabelecidos pelos compradores, as cooperativas também têm ampliado o uso de ferramentas de monitoramento das propriedades rurais.
Entre as tecnologias utilizadas está o sensoriamento remoto, que permite acompanhar as condições das lavouras, verificar a preservação de áreas protegidas e identificar possíveis alterações na cobertura vegetal.
As informações obtidas também podem ser utilizadas na elaboração de relatórios e documentos de rastreabilidade exigidos por mercados internacionais.
“O sensoriamento remoto transforma a narrativa de sustentabilidade em dados comprovados”, ressaltou Huffel.
Na avaliação do especialista, a competitividade do agronegócio dependerá cada vez mais da capacidade de aumentar a produção, adotar práticas sustentáveis e demonstrar, por meio de dados, o cumprimento dos critérios exigidos pelos consumidores.
“O agronegócio do futuro não apenas produz mais: ele produz melhor, comprova o que faz e será financeiramente recompensado por isso. As cooperativas entenderam que a união desses fatores faz, e fará ainda mais, a força do agro”, concluiu.
