Economia

"Quem tinha que aumentar a taxa seríamos nós", afirma Lula sobre tarifas dos EUA

“O superávit americano, nos últimos 15 anos, foi de US$ 415 bilhões. Então, quem tinha que aumentar a taxação seríamos nós, não eles”, afirmou Lula

Por Agência Brasil com Redação 02/06/2026 14h02 - Atualizado em 02/06/2026 15h03
'Quem tinha que aumentar a taxa seríamos nós', afirma Lula sobre tarifas dos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu, nesta terça-feira (2), o argumento do governo dos Estados Unidos de que o Brasil adota práticas “irrazoáveis” na relação bilateral.

Lula ressaltou que, nos últimos 15 anos, os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 415 bilhões na balança comercial com o Brasil. Por isso, segundo ele, se alguém deveria adotar tarifas, seria o Brasil.

“O superávit americano, nos últimos 15 anos, foi de US$ 415 bilhões. Então, quem tinha que aumentar a taxação seríamos nós, não eles”, afirmou Lula. Ele também lembrou que, em conversa com o então presidente dos EUA, Donald Trump, ambos concordaram em dar um prazo de 30 dias para negociar um acordo comercial.

    Lula relatou que, durante a reunião com Trump, o secretário de Comércio dos EUA alegou haver taxação e divergências comerciais. O presidente brasileiro disse ter apresentado documentos que comprovam a posição favorável dos EUA no comércio bilateral.

    “Então, eu disse a ele [Trump]: nós dois vamos dar 30 dias para eles provarem quem está certo e quem está errado. Se eu estiver errado, eu aceito; se você estiver errado, você aceita. E demos 30 dias. Até agora já conversaram três vezes e não houve acordo”, completou Lula.

    A conversa entre os dois presidentes, citada por Lula, ocorreu no início de maio, na Casa Branca. O encontro abordou principalmente a relação comercial, o combate ao crime organizado internacional e a exploração de minerais estratégicos. A reunião foi marcada por respeito mútuo, segundo relato oficial.

    Em um dia em que, novamente, os Estados Unidos propõem novas taxas contra produtos brasileiros sob alegação de deslealdade comercial, Lula reforçou que sua luta é pela “guerra da verdade”.

    “Como eu não tenho navio para fazer as guerras que o Trump gosta de fazer e não tenho bomba atômica, a minha guerra é a guerra da verdade contra a mentira.”

    Desta vez, o governo norte-americano alegou que as políticas e práticas brasileiras são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio dos EUA.

    O relatório final da investigação prevê a imposição de “tarifas ou outras restrições à importação de produtos brasileiros”. Com base nesse documento, o representante de comércio dos EUA propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre todos os bens do Brasil.

    Apoio da oposição ao tarifaço

    Lula discursou durante a inauguração do novo campus do Instituto Federal Goiano, em Catalão (GO). Na ocasião, lembrou o posicionamento dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro quando Trump aplicou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Sem citar nomes, mencionou uma postagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que, à época, agradeceu a Trump pelas tarifas.

    “No dia que ele [Trump] taxou, vou dizer o que fizeram os meninos do Bolsonaro. Um deles, que é candidato à Presidência, tuitou no dia 9 de julho de 2025: 'Obrigado, Trump, faça o Brasil livre de novo'”, recordou Lula. “O filho dele, que foi hoje à televisão dizer que não disse nada, agradeceu.”