Economia
Ibovespa fecha em queda com pressão externa e ruído político
Índice da bolsa brasileira caiu 0,61% nesta sexta-feira (15), influenciado por temor inflacionário global e cenário político doméstico
O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira (15) em queda de 0,61%, aos 177.283,83 pontos, pressionado pelo aumento da aversão ao risco no mercado internacional e pelas incertezas políticas no cenário doméstico. Na mínima do dia, o principal índice da bolsa brasileira chegou aos 175.417,25 pontos. O volume financeiro somou R$ 31,58 bilhões.
No acumulado da semana, o índice registrou retração de 3,71%.
Ao longo da sessão, o mercado reduziu parte das perdas observadas pela manhã, quando o Ibovespa chegou a cair mais de 1%, movimento amenizado principalmente pela valorização das ações da Petrobras.
No cenário externo, o aumento das tensões envolvendo um possível acordo de paz no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e reforçou as preocupações com a inflação global. O barril do petróleo Brent fechou em alta de 3,35%, cotado a US$ 109,26.
Além disso, dados recentes da inflação nos Estados Unidos ampliaram as expectativas de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve ainda neste ano. Diante desse contexto, o índice S&P 500 encerrou o dia em queda de 1,23%, aos 7.408,5 pontos.
No mercado doméstico, investidores também acompanharam os desdobramentos políticos e eleitorais. Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, buscaram minimizar os vínculos do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso sob acusação de diversos crimes.
Na quinta-feira (14), o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, afirmou que a campanha segue normalmente e que a agenda de compromissos do senador está mantida.
Para o gestor da Hike Capital, Ângelo Belitardo, o Ibovespa mantém perspectiva positiva no médio prazo, embora o mercado esteja mais seletivo.
"Com Selic ainda alta, câmbio voltando a pressionar e juros futuros subindo, o investidor tende a privilegiar empresas com balanço sólido, geração de caixa previsível e setores essenciais, como energia elétrica, saneamento, concessões, logística, rodovias, infraestrutura básica e bancos bem capitalizados", disse Belitardo.
"Já commodities alavancadas, varejo, construção e empresas dependentes de queda rápida dos juros exigem mais cautela", acrescentou o gestor.
Entre os destaques do pregão, as ações do setor bancário fecharam em queda. Itaú Unibanco PN recuou 1,73%, Bradesco PN perdeu 0,84%, Santander Brasil Unit caiu 0,81% e Banco do Brasil ON teve baixa de 0,29%.
Na direção oposta, Petrobras PN avançou 1,04% e Petrobras ON subiu 2,17%, acompanhando a valorização do petróleo no exterior.
Vale ON encerrou em alta de 0,76%, revertendo as perdas do início do pregão, mesmo diante da queda dos contratos futuros do minério de ferro na China.
Já Cosan ON caiu 5,16%, após a companhia divulgar prejuízo líquido de R$ 1,6 bilhão no primeiro trimestre. O GPA ON também recuou 1,74%, após reportar prejuízo líquido de R$ 1,4 bilhão no período.
A CPFL ON fechou em baixa de 1,53%, apesar de ter registrado lucro líquido de R$ 1,8 bilhão no primeiro trimestre, resultado 18% superior ao mesmo período do ano anterior.
*Com informações do Reuters


