Economia

Etanol de soja em escala industrial reforça protagonismo do Brasil em biocombustíveis

Projeto pioneiro busca certificação no RenovaBio e amplia uso sustentável da soja na matriz energética

Por Redação* 22/04/2026 11h11
Etanol de soja em escala industrial reforça protagonismo do Brasil em biocombustíveis
Biocombustível reduz emissões e amplia uso sustentável da soja - Foto: Pixabay

A produção de etanol de soja em escala industrial avança no Brasil e reforça o papel do país no desenvolvimento de biocombustíveis avançados. A iniciativa é liderada pela CJ Selecta, que busca certificação no RenovaBio com a primeira planta do tipo no mundo.

O projeto teve início em 2018 com o objetivo de agregar valor ao melaço de soja, um coproduto com baixa rentabilidade e demanda sazonal. A proposta também visa reduzir a pegada de carbono da cadeia produtiva, já que o etanol é utilizado na fabricação do concentrado proteico de soja (SPC), principal produto da empresa.

Tecnologia inédita e desafios produtivos


Sem referências anteriores de produção em larga escala, a companhia desenvolveu uma solução baseada em pesquisa e testes laboratoriais. Em parceria com especialistas em fermentação alcoólica, foram identificadas leveduras capazes de converter açúcares da soja — como rafinose e estaquiose — em etanol de forma eficiente.

A planta industrial, cuja construção começou em 2020, entrou em operação em março de 2021 após aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. A capacidade estimada é de até 10 milhões de litros por ano, sendo parte consumida internamente e o restante destinado ao mercado regional.

Redução de emissões e geração de créditos


O avanço mais recente está ligado ao processo de certificação no RenovaBio, que reconhece a redução de emissões por meio dos Créditos de Descarbonização (CBios). Dados da ferramenta RenovaCalc indicam que o etanol de soja apresenta emissões 47,05% menores que as da gasolina.

Com isso, a empresa estima uma redução anual entre 7 mil e 8 mil toneladas de CO₂ equivalente, com potencial de geração de CBios no mesmo volume. A expectativa é iniciar a comercialização desses créditos até meados de 2026, após ajustes regulatórios.

O processo envolve validação conjunta com instituições como a Embrapa, devido ao caráter inovador da rota tecnológica.

Avanço estratégico para o agro e energia


Para a companhia, o projeto representa um marco na integração entre indústria e sustentabilidade, ampliando o uso da soja além dos mercados tradicionais.

A iniciativa também conta com apoio da ABIOVE, que destaca o potencial de agregação de valor e diversificação da cadeia produtiva.

Segundo a entidade, o modelo contribui para ampliar a participação da soja na matriz energética e fortalece o papel do Brasil como fornecedor de produtos com maior valor agregado.

Próximos passos


A empresa segue colaborando com órgãos reguladores para consolidar uma nova rota de biocombustível baseada na soja. A inclusão dessa alternativa no RenovaBio é vista como estratégica para reconhecer os ganhos ambientais e impulsionar a transição energética no país.

*Com informações da CJ Selecta