Economia
Salário mínimo pode chegar a R$ 1.717 em 2027, diz governo
Proposta enviada ao Congresso prevê reajuste com base na inflação e no crescimento do PIB; valor ainda pode sofrer alterações até o fim de 2026
O governo federal projeta que o salário mínimo alcance R$ 1.717 a partir de janeiro de 2027, com pagamento efetivo em fevereiro. A estimativa consta no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, encaminhado ao Congresso Nacional nesta quarta-feira (15).
Atualmente fixado em R$ 1.621, o piso nacional pode ter um reajuste de 5,92%, o equivalente a R$ 96, caso a previsão da equipe econômica se confirme. O valor definitivo, no entanto, só será conhecido no final de 2026, após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de novembro.
A LDO estabelece metas e prioridades da administração federal e orienta a elaboração do Orçamento do ano seguinte. A proposta ainda precisa ser analisada e aprovada pelos parlamentares.
O cálculo do salário mínimo segue a regra que combina a inflação acumulada em 12 meses até novembro com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores. Para 2027, será considerado o desempenho da economia em 2025, estimado em 2,3%.
Desde o início do atual governo, foi retomada a política de valorização do salário mínimo, que inclui ganho real além da inflação. Esse modelo havia sido interrompido anteriormente, quando o reajuste considerava apenas a reposição inflacionária.
Apesar disso, uma regra aprovada em 2024 limita o aumento real a até 2,5% acima da inflação, seguindo os parâmetros do novo arcabouço fiscal. A medida tem validade até 2030 e busca controlar o crescimento das despesas públicas.
De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 61,9 milhões de brasileiros têm rendimentos vinculados ao salário mínimo, incluindo trabalhadores formais, aposentados e beneficiários de programas sociais.
“O salário mínimo é referência direta para milhões de pessoas e impacta não apenas o mercado de trabalho, mas também benefícios previdenciários e assistenciais”, destaca o Dieese em levantamento recente.
Entre os beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), cerca de 29,2 milhões recebem valores atrelados ao piso nacional. Segundo a entidade, benefícios de até um salário mínimo representam 46% da massa total paga pela Previdência e atendem mais de 70% dos segurados.

