Economia
Mesmo com guerra, Ipea prevê crescimento de 1,8% do PIB
Previsão leva em conta o contexto de incerteza global provocado pela guerra iniciada em 28 de fevereiro entre Estados Unidos, Israel e Irã
A economia brasileira deve crescer 1,8% em 2026, segundo projeção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO).
A previsão positiva para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma dos bens e serviços produzidos no país, leva em conta o contexto de incerteza global provocado pela guerra iniciada em 28 de fevereiro entre Estados Unidos, Israel e Irã, além do aumento do preço internacional do petróleo.
Mesmo reconhecendo que “o mundo se encontra no momento de maior tensão geopolítica desde o fim da Guerra Fria [1947-1991]”, o Ipea aponta “motivos para moderado otimismo”, conforme destaca a Carta de Conjuntura nº 70, publicada nesta quinta-feira (9).
“A elevada incerteza no cenário externo contrasta, entretanto, com a relativa rigidez de algumas dinâmicas que vêm caracterizando a economia brasileira há alguns anos – notadamente, o crescimento rápido e contínuo da renda disponível das famílias e do volume de crédito disponibilizado pelo sistema financeiro nacional”, avalia o estudo.
No Brasil, o consumo das famílias, impulsionado pelo aumento real do salário mínimo, é considerado “um dos maiores motores da economia”, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo do PIB e também vinculado ao MPO.
O crescimento do crédito ofertado pelo sistema financeiro nacional pode viabilizar investimentos privados, outro fator relevante para a expansão do PIB.
Além do consumo das famílias e dos investimentos privados, a projeção de crescimento do PIB considera ainda as despesas do Estado e o saldo entre exportações e importações.
Segundo o Ipea, o governo deve manter a política do novo arcabouço fiscal, “caracterizada pela combinação de elevação dos gastos públicos de natureza social e crescimento das receitas públicas, decorrentes, no caso dos gastos, da política de valorização do salário mínimo e da reindexação dos gastos com saúde à receita corrente líquida da União”.
No comércio exterior, o Ipea prevê que o setor será beneficiado por “políticas fiscais expansionistas”, impulsionadas por investimentos em inteligência artificial e pelo aumento dos gastos com armamentos, em decorrência do conflito no Oriente Médio.
O instituto lembra ainda que “a eclosão da guerra na Ucrânia [em fevereiro de 2022] não impediu, por exemplo, que o comércio mundial crescesse 5,8%” naquele ano.
No ano passado, o Ipea acertou a previsão de crescimento do PIB, de 2,3%. Se a projeção para 2026 se confirmar, o acumulado do período 2023-2026 será de 10,7%, índice superior aos dois quadriênios anteriores.
Nesse cenário, o resultado ficaria cinco pontos percentuais acima do PIB do quadriênio anterior (5,7% entre 2019 e 2022) e 0,8 ponto percentual acima do total registrado entre 2015 e 2018 (9,9%).

