Economia

Gás canalizado pode subir até 20% em maio com reajuste da Petrobras

Distribuidoras projetam alta maior até agosto e pedem ação do governo para reduzir impacto dos contratos atrelados ao Brent

Por Redação* 08/04/2026 09h09
Gás canalizado pode subir até 20% em maio com reajuste da Petrobras
Setor pede medidas do governo para conter impacto de reajustes previstos até agosto - Foto: © Foto / André Motta de Souza / Agência Petrobras

As distribuidoras de gás canalizado estimam um aumento de cerca de 20% nos contratos com a Petrobras, a partir de 1º de maio. Os acordos são integralmente atrelados ao petróleo Brent, o que pressiona os custos diante da alta no mercado internacional.

Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Marcelo Mendonça, o setor já prevê novos reajustes nos próximos meses. Como os contratos são atualizados a cada trimestre, a projeção é de um impacto ainda maior em agosto.

De acordo com estimativas da entidade, os contratos podem registrar aumento adicional de até 35% no segundo semestre. Considerando os valores praticados em fevereiro, a elevação acumulada pode chegar a uma média entre 50% e 60%, conforme os dados atuais do mercado.

"A gente não tem margem, não tem lastro para conseguir suportar um aumento dessa magnitude", afirmou Mendonça, em entrevista à Reuters.

Diante desse cenário, as distribuidoras defendem medidas do governo federal para mitigar os efeitos da alta, nos moldes de políticas adotadas recentemente para outros combustíveis.

O governo implementou um programa de subvenção ao diesel e, posteriormente, incluiu o querosene de aviação (QAV), como forma de reduzir os impactos da valorização do petróleo e seus derivados no mercado internacional. O movimento ocorre em meio à restrição de oferta global causada pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Além disso, foi criado um programa de subsídio voltado ao gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha.

Para Mendonça, a ausência de medidas semelhantes para o gás natural pode comprometer a competitividade do setor. "Quando você incentiva combustíveis concorrentes e até, inclusive, mais poluentes que o gás natural, você acaba incentivando esses combustíveis. E o gás natural, o combustível da transição, perde mercado", disse.

*Com informações do Reuters