Economia
Petrobras projeta autossuficiência do Brasil em diesel em até cinco anos
Segundo Chambriard, o plano de negócios da companhia previa inicialmente atingir 80% da demanda nacional, com a expansão de cerca de 300 mil barris de diesel por dia
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta quarta-feira (1º) que a empresa estuda estratégias para tornar o Brasil autossuficiente na produção de óleo diesel até 2031.
Segundo Chambriard, o plano de negócios da companhia previa inicialmente atingir 80% da demanda nacional, com a expansão de cerca de 300 mil barris de diesel por dia em cinco anos. No entanto, a executiva revelou que a meta está sendo revisada para buscar 100% da autossuficiência nesse período.
"Estamos revendo esse plano e nos perguntando se podemos chegar a 100% em cinco anos", afirmou durante seminário sobre energia em São Paulo. "A Petrobras adora desafios. Quem sabe a gente chega com a possibilidade de ter um novo plano de negócios capaz de entregar a autossuficiência do Brasil em diesel", completou.
O novo plano de negócios deve começar a ser elaborado em maio e concluído até novembro. Entre as estratégias para atingir o objetivo, Chambriard destacou a expansão da Refinaria Abreu e Lima, em Recife, projetada para entregar 230 mil barris de diesel por dia, podendo chegar a 300 mil barris diários se ampliada.
A Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, também pode aumentar sua produção, em articulação com o Complexo de Energias Boaventura (antigo Comperj), podendo alcançar 350 mil barris diários — um acréscimo de 110 mil barris em relação à produção atual.
Em São Paulo, quatro refinarias estão passando por adaptações para elevar a produção de diesel.
"Diesel é o combustível mote do desenvolvimento nacional. A gente aumentando diesel, a gasolina vem junto, os dois principais produtos da Petrobras", ressaltou a presidente.
A recente escalada nos preços do diesel S10, causada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, levou a Petrobras a reajustar o combustível em R$ 0,38 e aumentar em 55% o preço do querosene de aviação (QAV), que representa cerca de 30% do custo das companhias aéreas.
Para amenizar os impactos, o governo federal zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel e concedeu subvenções para produtores e importadores. Além disso, negocia com os estados um subsídio ao diesel importado, sugerindo a divisão dos custos para viabilizar um desconto de R$ 1,20 por litro, com União e estados arcando com R$ 0,60 cada.
O conflito no Oriente Médio também impactou o mercado internacional. O Irã fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo, elevando o preço do barril tipo Brent de US$ 70 (R$ 370) para mais de US$ 101 (cerca de R$ 520).
Por Sputinik Brasil


