Economia

Brasil discute reserva de combustíveis diante de tensões globais

Lula defende estoque estratégico para conter preços, garantir abastecimento e reduzir dependência externa em cenário de crise internacional

Por Esther Barros 20/03/2026 16h04
Brasil discute reserva de combustíveis diante de tensões globais
Lula defende criação de reserva estratégica de combustíveis - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (20) que o Brasil precisa avançar na criação de uma reserva estratégica de combustíveis, como forma de proteger o país contra oscilações de preços e possíveis crises de abastecimento provocadas por conflitos internacionais.

A declaração foi feita durante evento da Petrobras em Minas Gerais, onde o presidente destacou que a medida exige planejamento de longo prazo, mas é essencial para garantir segurança energética.

Segundo ele, a iniciativa deve ser tratada como prioridade estratégica tanto pelo governo quanto pela estatal.

A preocupação do governo está diretamente ligada ao aumento das tensões no Estreito de Ormuz, região por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial. Eventuais bloqueios ou conflitos no local podem afetar diretamente o fornecimento global e elevar os preços dos combustíveis.

Atualmente, o Brasil não possui uma reserva estratégica formal de petróleo, contando apenas com estoques operacionais. Além disso, o país ainda depende da importação de cerca de 30% do diesel consumido, fator que amplia a vulnerabilidade em momentos de instabilidade externa.

Para Lula, mesmo com alto custo, a criação de estoques reguladores ajudaria a reduzir a exposição do país à especulação internacional e fortaleceria a soberania nacional. Ele comparou a proposta às reservas internacionais em moeda estrangeira, que funcionam como proteção contra crises econômicas.

Investimentos e ampliação da capacidade

Durante o evento, a Petrobras anunciou um pacote de investimentos de R$ 9 bilhões na Refinaria Gabriel Passos, localizada em Betim (MG). A unidade, que operava abaixo da capacidade em anos anteriores, atualmente já atinge cerca de 98% de utilização.

A previsão é ampliar a produção dos atuais 170 mil barris por dia para 200 mil até 2027, com possibilidade de alcançar 240 mil barris diários nos próximos anos, conforme novos aportes sejam realizados.

Além da expansão produtiva, foi inaugurada uma usina fotovoltaica no complexo, iniciativa voltada à redução de custos e à transição energética. O projeto integra ações financiadas por um fundo específico da estatal para descarbonização de suas operações.

Segundo o governo, os investimentos devem fortalecer a produção nacional, gerar empregos e aumentar a segurança no fornecimento de combustíveis, ao mesmo tempo em que alinham o setor às metas ambientais.

*Com informações Agência Brasil