Economia

AL lidera leilão e terá 12 térmicas a gás e geração de 10 mil empregos

Depois de sete rodadas, o resultado confirmou uma mudança relevante no mapa energético brasileiro

Por Blog de Edivaldo Junior 19/03/2026 08h08
AL lidera leilão e terá 12 térmicas a gás e geração de 10 mil empregos
Origem lidera leilão de térmicas no Nordeste. - Foto: Reprodução

O 2º Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026, realizado nessa quarta-feira (18/03), pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Ministério de Minas e Energia (MME) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), na sede da CCEE, em São Paulo encerrou com a contratação de 18,97 GW (gigawatts), em sua maioria proveniente de usinas termelétricas a gás natural.

Depois de sete rodadas, o resultado confirmou uma mudança relevante no mapa energético brasileiro — com destaque direto para Alagoas. Com o desfecho do leilão, o estado terá 12 termelétricas a gás natural contratadas, liderando o Nordeste em número de projetos vencedores.

A lógica do certame é contratar disponibilidade de geração, e não apenas energia. Ou seja, usinas que possam ser acionadas quando o sistema precisar, especialmente em momentos de baixa produção eólica e solar.

Nesse novo cenário, Alagoas aparece como um dos principais polos emergentes da geração térmica no país. A concentração de projetos no estado reflete uma combinação rara: disponibilidade de gás natural, projetos estruturados e capacidade de resposta rápida exigida pelo sistema.

Os empreendimentos estão concentrados no município de Pilar, na região metropolitana de Maceió, e integram a estratégia da Origem Energia no Polo Alagoas.

Os números ajudam a dimensionar o impacto dos projetos contratados no estado:

Termelétricas em Alagoas (LRCAP 2026):

Complexo Pilar

• UTE Pilar I – 47,9 MW

• UTE Pilar II – 47,9 MW

• UTE Pilar III – 48,0 MW

• UTE Pilar IV – 48,0 MW

• UTE Pilar V – 29,5 MW

• UTE Pilar – 125,6 MW

• UTE Pilar Nova – 173,9 MW

Subtotal Pilar: 520,8 MW

Complexo Manguaba

• UTE Manguaba I – 9,3 MW

• UTE Manguaba II – 9,3 MW

• UTE Manguaba III – 9,3 MW

• UTE Manguaba IV – 9,3 MW

• UTE Manguaba V – 9,3 MW

Subtotal Manguaba: 46,5 MW

Total geral em Alagoas: 12 termelétricas a gás natural, com 567,3 MW de potência instalada

As usinas foram desenhadas para operar de forma complementar às fontes renováveis, garantindo estabilidade ao sistema elétrico. Operação flexível, sob demanda, com uso de gás natural produzido em Alagoas, tecnologia de acionamento rápido (turbinas aeroderivadas) e início previsto a partir de 2028.

O impacto econômico também tende a ser expressivo. A implantação das usinas deve movimentar bilhões em investimentos ao longo dos contratos e gerar efeitos diretos na economia local.

As estimativas apontam:

• Mais de 10 mil empregos diretos na fase de construção

• Geração de milhares de empregos indiretos

• Expansão da cadeia industrial ligada ao gás

• Aumento da arrecadação estadual e municipal

Antes mesmo do leilão, o governo de Alagoas já havia sinalizado esse potencial. E acertou. O governador Paulo Dantas destacou a geração de empregos como um dos principais efeitos do projeto. “A notícia é que nós vamos promover mais de 10 mil empregos para a região metropolitana de Maceió”, afirmou.

A secretária de Desenvolvimento, Renata Santos, também antecipou o impacto do leilão. “É segurança energética, é desenvolvimento, é Alagoas daqui para o futuro realmente.”

Agora, com contratos assinados, o cenário deixa de ser projeção. Passa a ser execução.

O avanço das térmicas está diretamente ligado a um projeto mais amplo de estruturação da cadeia do gás natural no estado. Além da geração elétrica, Alagoas terá a primeira estocagem subterrânea de gás natural do Brasil, prevista para Pilar.

Na prática, o estado reúne três elementos estratégicos: produção de gás, armazenamento e geração de energia.

Um novo papel. Se os projetos avançarem dentro do cronograma, Alagoas deixa de ser apenas produtor de gás e passa a atuar como fornecedor de energia para o sistema nacional.

Mais do que isso, assume protagonismo em uma matriz elétrica cada vez mais dependente de soluções flexíveis. E isso diz muito.