Economia

Banco do Brasil prevê 2026 como ano de desafios após queda no lucro

Foi registrado um lucro de R$ 20,68 bilhões em 2025

Por Agência Brasil 12/02/2026 15h03
Banco do Brasil prevê 2026 como ano de desafios após queda no lucro
Banco do Brasil projeta um 2026 ainda mais desafiador - Foto: Reprodução

Após registrar lucro de R$ 20,68 bilhões em 2025, o Banco do Brasil projeta um 2026 ainda mais desafiador.

“O ano de 2025 foi desafiador e 2026 será desafiador. Mas será desafiador dentro de um desafio que já aprendemos como fazer”, afirmou Tarciana Medeiros, presidente-executiva do banco, durante teleconferência com analistas nesta quarta-feira (12), para apresentação dos resultados anuais da instituição.

Em entrevista posterior, Tarciana detalhou os desafios enfrentados desde 2025, especialmente o aumento expressivo da inadimplência no agronegócio.

“A gente vinha de dois anos de recordes históricos de resultados. Mas 2025 foi um ano desafiador, com redução de resultado em relação ao ano anterior, que havia sido o maior da história do Banco do Brasil. Tivemos um comportamento atípico no agro: a inadimplência do setor cresceu cerca de 500% em relação à média histórica”, explicou a presidente.

Regras contábeis

Na noite de terça-feira (11), o banco divulgou lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões em 2025, uma queda de 45,4% em relação a 2024. De acordo com a instituição, o resultado foi impactado pelas novas regras contábeis e pelo aumento da inadimplência, sobretudo no agronegócio. Para 2026, o Banco do Brasil projeta um lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.

Entre as estratégias para o próximo ano está a liderança no segmento de crédito consignado para o funcionalismo público, além de ampliar a participação no consignado para trabalhadores do setor privado.

“Temos conhecimento e habilidade histórica no crédito consignado: operamos desde o lançamento da linha. Vamos reforçar ainda mais a liderança do banco nesse segmento”, destacou Tarciana Medeiros.

Fundo Garantidor de Crédito

Na última terça-feira (10), o conselho do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) aprovou um plano emergencial para recompor o caixa após o impacto financeiro da liquidação do Banco Master. O objetivo é garantir que o fundo — mantido pelas instituições financeiras para cobrir quebras e liquidações — mantenha liquidez compatível com os riscos do sistema financeiro.

Aporte antecipado

Para recompor o FGC, a diretoria do Banco do Brasil anunciou um aporte antecipado de R$ 5 bilhões para recapitalizar o fundo. Para cobrir o rombo provocado pelo Banco Master, os bancos decidiram adiantar o equivalente a cinco anos de contribuições futuras ao FGC.

O Banco do Brasil contribui anualmente com cerca de R$ 1 bilhão para o FGC, valor que agora será antecipado em cinco anos. Segundo Geovanne Tobias, vice-presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores do banco, a antecipação terá apenas efeito de caixa, com transferência direta da tesouraria ao FGC.

Contribuição extraordinária

Além do aporte antecipado, Tobias informou que o banco fará uma contribuição extraordinária de 50% desse valor, cerca de R$ 500 milhões por ano. “Vou aumentar em R$ 450 milhões a R$ 500 milhões as minhas despesas financeiras para contribuir extraordinariamente para o FGC”, afirmou.

“É importante ter um FGC sólido, mas estamos abrindo mão de receitas e o regulador está ciente disso”, completou o executivo.

Para a presidente do Banco do Brasil, o FGC é um seguro para proteger o investidor, mas não deve ser “usado como argumento de venda [de ativos]”.

“Acho que 2025 e tudo o que ocorreu nesse ano trazem muitos aprendizados para o ajuste da legislação e da regulação, se for o caso”, concluiu Tarciana Medeiros.