Economia

BC decreta liquidação extrajudicial do Will Bank, instituição controlada pelo Banco Master

Entre as providências está a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores da Will Financeira

Por Agência Brasil 21/01/2026 13h01 - Atualizado em 21/01/2026 13h01
BC decreta liquidação extrajudicial do Will Bank, instituição controlada pelo Banco Master
Medida foi anunciada nesta quarta-feira (21) - Foto: Reprodução

O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição controlada pelo Banco Master.

O Will Bank, que já estava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde a liquidação do Banco Master em novembro de 2025, teve a medida anunciada nesta quarta-feira (21).

Segundo o BC, entre as providências está a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores da Will Financeira, que integrava o conglomerado Master.

Liderado pelo Banco Master, o conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

“Na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira”, justificou o BC.

Liquidação inevitável

O Banco Central avaliou que essa solução não se mostrou viável, após constatar, em 19 de janeiro, o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo.

Diante desse cenário, a autoridade monetária considerou inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, “em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master”.

Entenda o caso

Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master expandiu rapidamente ao oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima da média do mercado.

Para sustentar esse modelo, o banco assumiu riscos excessivos e estruturou operações que inflavam artificialmente seu balanço, enquanto a liquidez real – dinheiro disponível para ressarcir investidores – se deteriorava.

Investigações da Polícia Federal e relatórios do BC apontam que o colapso do Master foi tanto financeiro quanto institucional.

A ligação com a gestora Reag Investimentos, a tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB) e a pressão sobre órgãos de controle transformaram o caso em um xadrez complexo, com impacto direto sobre investidores e sobre a credibilidade das instituições.

Entre 2023 e 2024, o Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações. O banco emprestava recursos a empresas supostamente laranja que aplicavam o dinheiro em fundos da gestora Reag Investimentos.

Esses fundos compravam ativos de baixo ou nenhum valor real, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por preços inflados. O Banco Central identificou seis fundos da Reag suspeitos, com patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões – dinheiro que circulava entre fundos ligados aos mesmos intermediários, até chegar aos beneficiários finais.

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