Cooperativismo

Cooperativas de seguros começam a disputar espaço no mercado brasileiro

Novo modelo permite que segurados sejam também associados e busca ampliar o acesso à proteção

Por Redação 02/10/2026 15h03
Cooperativas de seguros começam a disputar espaço no mercado brasileiro
. - Foto: Reprodução/internet

As cooperativas de seguros estão autorizadas a funcionar no Brasil desde maio de 2025 e começam a abrir um novo mercado no setor. A proposta é ampliar o acesso a seguros para consumidores que hoje não possuem apólices, principalmente devido ao custo.

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) já recebeu os primeiros projetos de organizações interessadas. Atualmente, cerca de 30% da frota brasileira possui seguro, segundo dados divulgados pela Gazeta do Povo.

 Segurado também será cooperado

No novo modelo, quem contrata o seguro também se torna cooperado e participa da estrutura da organização. Eventuais resultados positivos, após o cumprimento das obrigações, poderão ser reinvestidos na cooperativa ou destinados conforme decisão dos associados.

A modalidade se diferencia das cooperativas de crédito, que podem comercializar seguros de empresas parceiras, mas não assumem diretamente os riscos das apólices.

 Primeiras autorizações podem sair em 2027


A criação de uma cooperativa depende de análise e homologação da Susep. Cada uma das duas etapas pode levar até 120 dias. Após a aprovação, são previstos até 90 dias para os atos societários e mais 30 dias para solicitar a homologação.

A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) estima que as primeiras autorizações possam ocorrer em 2027. A Susep, porém, não estabeleceu prazo, pois o processo depende da documentação e da capacidade operacional do órgão.

 Modelo já é forte no exterior


Segundo a Federação Internacional de Cooperativas e Seguros Mútuos (ICMIF), cooperativas e seguradoras mútuas reúnem cerca de 320 milhões de segurados no mundo e movimentaram US$ 228 bilhões em prêmios em 2023. A entidade reúne mais de 200 organizações de quase 80 países.

No Brasil, a proposta é complementar o mercado tradicional e alcançar consumidores que ficam fora dele por causa do preço, dificuldade de acesso ou falta de informação.

A gerente-geral do Sistema OCB, Clara Maffia, afirma que não há expectativa de crescimento acelerado no número de cooperativas. Enquanto os primeiros projetos avançam na Susep, seguradoras e resseguradoras já procuram a OCB para conhecer o modelo e avaliar parcerias, especialmente em tecnologia e atendimento.