Cooperativismo
Cooperativas de seguros começam a disputar espaço no mercado brasileiro
Novo modelo permite que segurados sejam também associados e busca ampliar o acesso à proteção
As cooperativas de seguros estão autorizadas a funcionar no Brasil desde maio de 2025 e começam a abrir um novo mercado no setor. A proposta é ampliar o acesso a seguros para consumidores que hoje não possuem apólices, principalmente devido ao custo.
A Superintendência de Seguros Privados (Susep) já recebeu os primeiros projetos de organizações interessadas. Atualmente, cerca de 30% da frota brasileira possui seguro, segundo dados divulgados pela Gazeta do Povo.
Segurado também será cooperado
No novo modelo, quem contrata o seguro também se torna cooperado e participa da estrutura da organização. Eventuais resultados positivos, após o cumprimento das obrigações, poderão ser reinvestidos na cooperativa ou destinados conforme decisão dos associados.
A modalidade se diferencia das cooperativas de crédito, que podem comercializar seguros de empresas parceiras, mas não assumem diretamente os riscos das apólices.
Primeiras autorizações podem sair em 2027
A criação de uma cooperativa depende de análise e homologação da Susep. Cada uma das duas etapas pode levar até 120 dias. Após a aprovação, são previstos até 90 dias para os atos societários e mais 30 dias para solicitar a homologação.
A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) estima que as primeiras autorizações possam ocorrer em 2027. A Susep, porém, não estabeleceu prazo, pois o processo depende da documentação e da capacidade operacional do órgão.
Modelo já é forte no exterior
Segundo a Federação Internacional de Cooperativas e Seguros Mútuos (ICMIF), cooperativas e seguradoras mútuas reúnem cerca de 320 milhões de segurados no mundo e movimentaram US$ 228 bilhões em prêmios em 2023. A entidade reúne mais de 200 organizações de quase 80 países.
No Brasil, a proposta é complementar o mercado tradicional e alcançar consumidores que ficam fora dele por causa do preço, dificuldade de acesso ou falta de informação.
A gerente-geral do Sistema OCB, Clara Maffia, afirma que não há expectativa de crescimento acelerado no número de cooperativas. Enquanto os primeiros projetos avançam na Susep, seguradoras e resseguradoras já procuram a OCB para conhecer o modelo e avaliar parcerias, especialmente em tecnologia e atendimento.
