Cooperativismo
Cooperativas impulsionam inclusão financeira no Brasil, aponta Banco Central
Um dos principais avanços apontados é o alto nível de inclusão financeira no país
Durante a LiveBC transmitida em 13 de abril, Izabela Correa, diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta do Banco Central, e Luis Gustavo Mansur Siqueira, chefe do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira, apresentaram os principais pontos do recém-lançado Relatório de Cidadania Financeira 2025. O documento analisa a relação dos brasileiros com o sistema financeiro, com foco especial na população de baixa renda e novos recortes sobre o uso do crédito por gênero e raça.
Izabela destacou que o relatório se apoia em quatro pilares da cidadania financeira — inclusão, proteção, educação e participação — e traz, nesta edição, uma abordagem alinhada ao debate internacional sobre bem-estar financeiro, tema presente na agenda de organismos como o G20 e a OCDE.
Um dos principais avanços apontados é o alto nível de inclusão financeira no país. Segundo Mansur, 96% da população adulta brasileira já possui conta bancária, índice semelhante ao de países desenvolvidos. Esse resultado é atribuído a políticas públicas consistentes e à inovação tecnológica, com destaque para o Pix, considerado um divisor de águas ao ampliar o uso efetivo das contas e integrar milhões de brasileiros ao sistema.
Apesar disso, Izabela ressaltou que o desafio atual está na chamada “última milha”: alcançar os 4% da população ainda fora do sistema financeiro e engajar usuários inativos, em sua maioria homens, idosos e moradores das regiões Norte e Nordeste.
Outro ponto de atenção do relatório é a qualidade do crédito. Embora 117 milhões de brasileiros tenham operações ativas, cerca de 53 milhões utilizam linhas com juros elevados, como o rotativo do cartão de crédito e o parcelamento com juros. Mansur alertou que muitos consumidores só percebem o endividamento quando deixam de pagar dívidas, o que evidencia a necessidade de educação financeira e uso mais consciente dessas modalidades.
O relatório também destaca o papel das cooperativas financeiras na expansão da inclusão. Essas instituições já atendem mais de 20 milhões de pessoas e têm sido fundamentais para ampliar a presença do sistema financeiro em regiões menos atendidas, especialmente em um cenário de redução das agências bancárias tradicionais.
Pela primeira vez, o estudo traz um recorte detalhado por gênero e raça. Os dados mostram diferenças relevantes no uso do crédito: homens recorrem mais a financiamentos de veículos e cheque especial, enquanto mulheres utilizam com maior frequência o rotativo e o parcelamento com juros — modalidades mais caras.
Entre a população de baixa renda, mulheres pagam mais boletos, mas, em geral, de menor valor. Já os homens concentram pagamentos mais altos, frequentemente ligados à aquisição de bens, como veículos. Segundo Mansur, isso pode indicar que mulheres acabam mais envolvidas em despesas do dia a dia, sem retorno em formação de patrimônio.
O relatório também revela que mulheres negras são o grupo que mais utiliza o crédito rotativo e, consequentemente, enfrenta as maiores taxas de juros. Por outro lado, elas também lideram o uso de microcrédito produtivo, que possui custos mais baixos. Ainda assim, esse tipo de crédito representa uma parcela menor em comparação às linhas mais onerosas.
Para Izabela, esses dados ajudam a evidenciar desigualdades e levantam novas questões para políticas públicas e futuras pesquisas. O relatório também aborda temas como o aumento do endividamento e a expansão de golpes financeiros, reforçando a importância de iniciativas contínuas de educação, proteção e supervisão no sistema financeiro.
*Com informações do MundoCoop


