Cooperativismo

Cooperativismo vira pilar do crédito rural em novo ciclo

Em um cenário de juros elevados, maior seletividade bancária e reorganização das fontes de financiamento, as cooperativas de crédito têm assumido papel estratégico na sustentação da atividade no campo

Por Redação* 18/02/2026 11h11
Cooperativismo vira pilar do crédito rural em novo ciclo
Crédito Rural - Foto: Reprodução

Mesmo com a taxa Selic mantida em 15% ao ano e um ambiente mais rigoroso na concessão de crédito, o cooperativismo financeiro segue ampliando sua presença no agronegócio brasileiro. Em um cenário de juros elevados, maior seletividade bancária e reorganização das fontes de financiamento, as cooperativas de crédito têm assumido papel estratégico na sustentação da atividade no campo.

“O agro acontece no dia a dia das comunidades, movimenta a economia local e garante renda no campo. Seguimos impulsionando o setor e fortalecendo as regiões onde atuamos”, afirma Manfred Dasenbrock, presidente da Central Sicredi PR/SP/RJ.

A declaração foi feita durante o Show Rural Coopavel, realizado em Cascavel (PR), um dos principais eventos tecnológicos do agronegócio nacional. No encontro, executivos do Sicoob e da Cresol também detalharam suas estratégias para um ciclo marcado por maior rigor técnico e custos financeiros mais elevados.

Crédito mais técnico e seletivo


O atual Plano Safra evidencia uma transição estrutural no mercado de crédito rural: há menos contratos, tíquetes médios maiores e predominância crescente de instrumentos privados, especialmente as Cédulas de Produto Rural (CPR). Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, o crédito empresarial contratado somou R$ 316,57 bilhões, alta de 6%, segundo o Banco Central. O avanço foi puxado pelas CPRs, que cresceram 37%, enquanto as linhas de investimento recuaram 20%.

O crédito não desapareceu — tornou-se mais técnico, concentrado no custeio da produção imediata e dependente de análise criteriosa de risco, em meio à combinação de juros elevados e maior volatilidade climática.

Sicredi amplia carteira e reforça seguros


No primeiro semestre do Plano Safra 2025/2026, o Sicredi liberou R$ 39 bilhões, avanço de 11% em relação ao ciclo anterior. Ao final de 2025, a carteira agro da instituição alcançou R$ 120 bilhões, crescimento de 13,5%.

A cooperativa também superou R$ 34 bilhões em repasses do BNDES, sendo R$ 8,6 bilhões destinados a programas agropecuários apenas em 2025. Além do crédito tradicional, ampliou a atuação em consórcios e seguros: foram R$ 15 bilhões em créditos ativos de consórcio, com R$ 3,2 bilhões voltados ao agro, e 113 mil apólices de seguro rural, protegendo mais de R$ 58 bilhões em máquinas e benfeitorias e R$ 2,4 bilhões em lavouras.

Sicoob cresce acima do sistema financeiro


Durante o Show Rural Coopavel 2026, o Sicoob protocolou R$ 4,2 bilhões em operações, sendo R$ 3,4 bilhões em crédito rural e CPR-F. Em 2025, a carteira total da cooperativa cresceu 17%, acima dos 10,2% registrados pelo Sistema Financeiro Nacional.

No atual Plano Safra, o sistema aportou cerca de R$ 60 bilhões ao setor, incremento de 8%. O agro já representa aproximadamente um terço do volume total de negócios da instituição. A estratégia inclui expansão territorial — hoje são mais de 4,7 mil pontos de atendimento — especialmente em municípios onde o crédito mantém papel central na dinâmica econômica local.

Cresol reforça foco na agricultura familiar


Com forte atuação na agricultura familiar, a Cresol liberou R$ 10,2 bilhões até 10 de fevereiro no Plano Safra 2025/2026, distribuídos em mais de 87 mil propostas. O tíquete médio foi de R$ 117,6 mil, com predominância de operações de custeio (64,6%).

Ao completar 30 anos, a cooperativa soma R$ 53 bilhões em ativos e R$ 43 bilhões em carteira total de crédito. No agro, acumula R$ 56,5 bilhões liberados ao longo da trajetória, com presença relevante no Pronaf. A instituição também atingiu mil agências, 75% delas em municípios com até 50 mil habitantes, e encerrou 2025 com R$ 12 bilhões em carteira sustentável alinhada à taxonomia verde da Febraban.

Cooperativas como amortecedor regional


Em um ambiente de retração das fontes não controladas — que recuaram 25% no semestre —, o avanço das cooperativas sinaliza uma reorganização estrutural do financiamento rural. A CPR passou a representar 47% do total concedido no ciclo atual, ante 34% na safra anterior.

Mais do que ampliar volumes, o cooperativismo financeiro tem atuado como amortecedor regional, mantendo recursos circulando entre associados e preservando liquidez em economias locais. Em um cenário de crédito mais caro e seletivo, o modelo cooperativo reforça sua função histórica: sustentar a produção agrícola mesmo sob pressão macroeconômica.

*Com informações da Forbes