Cooperativismo

Tradição da farinha de mandioca em São José da Laje fortalece cultura e economia local

Produção no Sítio Pau D’Arco, organizada pela COOPERFAL e com apoio da AMAFES, gera renda, preserva saberes ancestrais e abastece programas sociais

Por Jamerson Soares 21/01/2026 19h07 - Atualizado em 21/01/2026 19h07
Tradição da farinha de mandioca em São José da Laje fortalece cultura e economia local
Tradição da farinha de mandioca inclui dezenas de famílias em São José da Laje - Foto: Arquivo pessoal

A tradição da produção da farinha de mandioca no Sítio Pau D’Arco, em São José da Laje, segue como um dos principais símbolos da identidade cultural e econômica da Zona da Mata alagoana. 

Mantida por gerações de famílias agricultoras, a atividade hoje ganha força por meio da organização coletiva liderada pela Cooperativa dos Produtores e Empreendedores da Agricultura Familiar do Estado de Alagoas (COOPERFAL) e pelo protagonismo das mulheres da Associação de Mulheres da Agricultura Familiar Lajense (AMAFES).

De acordo com Berivaldo de Melo Marinho, presidente da COOPERFAL, a produção da farinha vai além da subsistência. “Ela tem uma importância cultural e econômica fundamental para o nosso povo”, afirmou. Segundo ele, a cooperativa atua como um elo entre o saber tradicional e um modelo sustentável de geração de renda, organizando a produção agrícola familiar e ampliando o alcance comercial do produto.

"O envolvimento humano é o coração de todo o processo. São dezenas de famílias e centenas de pessoas envolvidas desde o plantio até a distribuição final, gerando renda e fixando o homem e a mulher no campo", destacou Berivaldo.

A matéria-prima utilizada nas casas de farinha vem principalmente do Sítio Pau D’Arco, onde centenas de famílias cultivam a mandioca. O processo produtivo preserva métodos tradicionais transmitidos ao longo do tempo, incluindo o arranquio, a raspagem, a ralação, a prensagem para retirada da manipueira e a torragem nos fornos, garantindo a qualidade e a identidade da farinha lajense.

O envolvimento comunitário é um dos pilares dessa cadeia produtiva. Desde o plantio até a comercialização, dezenas de famílias participam diretamente do processo, assegurando trabalho, renda e a permanência das pessoas no campo. 

A atuação das mulheres é essencial tanto na produção quanto na organização e comercialização da farinha, fortalecendo o papel feminino na agricultura familiar.

Além da venda direta no Sítio Pau D’Arco e nas feiras livres de São José da Laje e municípios vizinhos, a farinha produzida pela agricultura familiar alcançou novos mercados institucionais. Por meio da COOPERFAL, o produto passou a integrar programas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), ampliando o impacto social da atividade.

Com isso, a farinha de mandioca de São José da Laje não apenas movimenta a economia local, mas também contribui para a segurança alimentar de famílias e estudantes em todo o estado, reafirmando a força da agricultura familiar e a importância da preservação das tradições no desenvolvimento regional.