Cooperativismo

Boitel da Cooperativa Pindorama gera renda no campo e fomenta a economia circular

Atualmente, os lotes, que comportam até 60 bois, estão situados em uma área de dois hectares

Por BCCOM Comunicação 06/01/2026 15h03 - Atualizado em 06/01/2026 18h06
Boitel da Cooperativa Pindorama gera renda no campo e fomenta a economia circular
Boitel, que teve início em 2024 e que comporta mais de dois mil animais - Foto: Assessoria

O primeiro confinamento coletivo de todo o Nordeste, criado pela Cooperativa Pindorama, o Boitel, que teve início em 2024 e que comporta mais de dois mil animais, opera com a perspectiva de ampliar a capacidade para quatro mil cabeças. Atualmente, os lotes, que comportam até 60 bois, estão situados em uma área de dois hectares, onde a cooperativa cede a área, além de garantir toda a estrutura e a alimentação.

A iniciativa foi apontada pelo presidente de Pindorama, Klécio Santos, como mais um projeto de sucesso desenvolvido pela cooperativa. 

“A gente criou essa ideia com a intenção de oferecer uma oportunidade para o pecuarista alagoano em um período de mais seca e de pasto mais escasso, ofertando um refúgio para eles. Aqui, a gente atende o cooperado e também o não cooperado. Estamos no segundo momento desse projeto. Quem participou da primeira fase teve crescimento e resolveu entrar nessa segunda temporada. Isso demonstrou a eficácia desse tipo de negócio. A ideia é crescer cada vez mais”, declarou.

Segundo o dirigente de Pindorama, a ampliação da estrutura física para que o confinamento dos animais possa ser concretizado já está sendo montada pela cooperativa, com previsão de entrar em operação nos próximos meses.

“À medida que a gente vai criando currais novos, onde os animais passam por um processo de engorda, damos prosseguimento à lista de criadores que estão no aguardo para colocar seus animais nesse espaço. Está sendo rentável para a cooperativa, mas também muito mais interessante para os criadores, que têm a oportunidade de ganhar 25% do peso que o boi ganhar no confinamento. Tratamos os animais da melhor forma possível, com profissionais preparados para que possamos gerar o máximo de resultados em termos de engorda”, reforçou.

De acordo com Santos, se um animal chegar ao Hotelboi com dez arrobas e ganhar mais dez arrobas, 25% desse ganho de peso extra é somado ao peso inicial do animal, que fica com o criador, e o restante é destinado à cooperativa para cobrir os custos fixos. “Um animal só sai do confinamento no ponto de abate, após ganhar peso que, em média, seria de 19 arrobas por animal, acima de 580 quilos. Nesse sentido, a remuneração do capital do criador está segura. Vale muito a pena”, destacou.

O presidente da Cooperativa Pindorama reforçou ainda que atualmente os animais apresentam uma regularidade de peso, com uma uniformidade bem maior do que a observada no primeiro ano do projeto. “Hoje, temos lotes bons e muito bons, mas não temos lotes fracos. O criador compra um animal bom e, ao colocá-lo aqui, em três meses terá um resultado, sem antecipar e pagar diária. Permanecemos com esse animal até o acabamento dele”, reforçou.

Nesse sentido, para garantir resultados no ganho de peso, uma ração especial à base de subprodutos como WDG, bagaço de cana, núcleo, melaço e gérmen de milho é ofertada de forma contínua aos animais no confinamento. “É uma comida balanceada e equilibrada, misturada proporcionalmente dentro de valores energéticos e proteicos. O que era rejeito virou um coproduto nobre, e os animais, a depender da genética, podem chegar a ganhar até duas arrobas por mês. Vale destacar que cerca de 96% dessa ração, à exceção do núcleo, é produzida pela cooperativa”, destacou.

Após a ingestão dessa ração, que resulta no processo de engorda, os dejetos dos animais são usados como esterco, aplicado na cultura da cana. 

“Com isso, cria-se esse ciclo virtuoso e muito produtivo, onde um alimenta o outro. O esterco é usado para adubar a cana, junto com à torta de filtro e às borras da vinhaça. Esses três produtos chegam a substituir em até 100%, a depender do volume colocado, o adubo químico. Isso é fantástico. Quanto mais a gente cresce esse confinamento, mais resíduos desses estarão disponíveis para voltar para o campo”, afirmou.

Diante desse processo de economia circular, Pindorama reduz a compra de adubos químicos que vêm de outros países e os recursos passam a circular dentro da própria cooperativa. “Esse tem sido um trabalho permanente nosso, que é tentar deixar dentro de casa o máximo que se puder para circular na nossa economia. Nesse sentido, tivemos a ideia da moeda, depois veio esse Boitel. Daí, temos outros projetos sendo pensados dentro desse mesmo conceito”, reforçou Santos.