Ciência, tecnologia e inovação
Tumba de 2,8 mil anos revela evidências antigas de uso de cannabis
Tumba de 2,8 mil anos revela evidências antigas de uso de cannabis
Sementes e vestígios químicos encontrados em sepultura na Sibéria indicam que a planta era utilizada por suas propriedades psicoativas
Uma tumba com cerca de 2,8 mil anos, localizada na Sibéria, revelou evidências do uso de cannabis na Antiguidade. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Berna, na Suíça, e identificou vestígios da substância em sementes e cabelos humanos preservados no local.
O estudo, publicado nesta quinta-feira (5) na revista científica *Science*, foi realizado em uma sepultura sacrificial na República de Tuva, território da Rússia. O espaço pertencia a integrantes da elite da época e continha aproximadamente mil sementes de cannabis.
Para determinar a idade do material, os pesquisadores realizaram testes de radiocarbono em seis sementes. Os resultados indicaram que elas foram depositadas na tumba no início do século 8 a.C., há aproximadamente 2,8 mil anos. A evidência é considerada a mais antiga já documentada do uso da planta.
Vestígios foram encontrados em cabelos humanos

Além das sementes, a equipe analisou fios de cabelo preservados nas câmaras funerárias. Os exames identificaram sinais compatíveis com a presença de canabinol (CBN), composto formado pela oxidação do tetraidrocanabinol (THC), principal substância psicoativa da cannabis.
Para os pesquisadores, a combinação dos vestígios vegetais com os sinais químicos encontrados nos cabelos indica que os indivíduos tiveram contato com a planta e provavelmente a utilizaram por seus efeitos psicoativos.
No entanto, a análise não permitiu determinar a quantidade consumida nem a forma de utilização, que pode ter ocorrido por inalação ou ingestão.
O autor principal da pesquisa, Gino Caspari, destacou que a análise conjunta de sementes e vestígios encontrados no corpo humano fortalece a interpretação sobre o uso da cannabis naquela sociedade.
Pesquisa busca entender a história da planta
Como próxima etapa, os cientistas pretendem sequenciar o DNA das sementes preservadas para investigar as características das plantas utilizadas naquele período. A intenção é descobrir se elas eram selecionadas ou cultivadas de acordo com a concentração de compostos ativos.
Segundo Caspari, o estudo genético poderá ampliar o conhecimento sobre a domesticação e a disseminação da cannabis ao longo da história.
