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Tumba de 2,8 mil anos revela evidências antigas de uso de cannabis

Tumba de 2,8 mil anos revela evidências antigas de uso de cannabis

Por Redação 06/11/2026 12h12
Tumba de 2,8 mil anos revela evidências antigas de uso de cannabis
Semente de maconha de 2,8mil anos - Foto: Reprodução/Internet

Sementes e vestígios químicos encontrados em sepultura na Sibéria indicam que a planta era utilizada por suas propriedades psicoativas

Uma tumba com cerca de 2,8 mil anos, localizada na Sibéria, revelou evidências do uso de cannabis na Antiguidade. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Berna, na Suíça, e identificou vestígios da substância em sementes e cabelos humanos preservados no local.

O estudo, publicado nesta quinta-feira (5) na revista científica *Science*, foi realizado em uma sepultura sacrificial na República de Tuva, território da Rússia. O espaço pertencia a integrantes da elite da época e continha aproximadamente mil sementes de cannabis.

Para determinar a idade do material, os pesquisadores realizaram testes de radiocarbono em seis sementes. Os resultados indicaram que elas foram depositadas na tumba no início do século 8 a.C., há aproximadamente 2,8 mil anos. A evidência é considerada a mais antiga já documentada do uso da planta.

Vestígios foram encontrados em cabelos humanos



Além das sementes, a equipe analisou fios de cabelo preservados nas câmaras funerárias. Os exames identificaram sinais compatíveis com a presença de canabinol (CBN), composto formado pela oxidação do tetraidrocanabinol (THC), principal substância psicoativa da cannabis.

Para os pesquisadores, a combinação dos vestígios vegetais com os sinais químicos encontrados nos cabelos indica que os indivíduos tiveram contato com a planta e provavelmente a utilizaram por seus efeitos psicoativos.

No entanto, a análise não permitiu determinar a quantidade consumida nem a forma de utilização, que pode ter ocorrido por inalação ou ingestão.

O autor principal da pesquisa, Gino Caspari, destacou que a análise conjunta de sementes e vestígios encontrados no corpo humano fortalece a interpretação sobre o uso da cannabis naquela sociedade.

Pesquisa busca entender a história da planta


Como próxima etapa, os cientistas pretendem sequenciar o DNA das sementes preservadas para investigar as características das plantas utilizadas naquele período. A intenção é descobrir se elas eram selecionadas ou cultivadas de acordo com a concentração de compostos ativos.

Segundo Caspari, o estudo genético poderá ampliar o conhecimento sobre a domesticação e a disseminação da cannabis ao longo da história.