Ciência, tecnologia e inovação

Unicamp desenvolve chip quântico que opera a -273 °C

Protótipo criado em parceria com o CBPF representa avanço na pesquisa brasileira e pode reduzir a dependência tecnológica do país em relação ao exterior

Por Redação 05/11/2026 15h03
Unicamp desenvolve chip quântico que opera a -273 °C
Tecnologia pode contribuir para a realização de cálculos específicos em diversas áreas - Foto: Steve Jurvetson | Wikimedia Commons / Xataka

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) desenvolveram um protótipo de chip quântico supercondutor que representa um avanço para a pesquisa nacional na área. Divulgado em fevereiro de 2022, o dispositivo utiliza materiais como nióbio e alumínio e precisa funcionar a aproximadamente -273,13 °C, temperatura próxima do zero absoluto.

Diferentemente dos processadores convencionais, que trabalham com informações representadas por zeros e uns, a computação quântica utiliza unidades chamadas qubits. Esses componentes exploram propriedades da mecânica quântica, como a superposição, que permite combinar os estados zero e um.

A tecnologia pode contribuir para a realização de cálculos específicos em áreas como simulação de moléculas, desenvolvimento de novos materiais e pesquisas voltadas à criação de medicamentos. No entanto, o protótipo ainda não é um computador quântico comercial.

O dispositivo foi desenvolvido com circuitos supercondutores e junções Josephson de alumínio, utilizando técnicas de micro e nanofabricação semelhantes às aplicadas na produção de semicondutores. Para funcionar, precisa ser resfriado a cerca de 20 milikelvin, equivalente a -273,13 °C, além de permanecer protegido contra interferências eletromagnéticas.

A pesquisa também representa um passo para ampliar a autonomia tecnológica brasileira, permitindo que o país desenvolva conhecimento e infraestrutura próprios em um setor atualmente dominado por poucos países.

Investimentos


A colaboração entre o CBPF, no Rio de Janeiro, e o Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW), da Unicamp, contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Petrobras.

Outro avanço ocorreu com a implantação do Laboratório de Tecnologias Quânticas (QuantumTec), no CBPF. Anunciado em 2023, o projeto recebeu investimento de R$ 19 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e foi inaugurado em junho de 2025. A estrutura permite ampliar pesquisas com chips supercondutores, sensores e comunicação quântica.

Em Campinas, a articulação também avançou em julho de 2026, quando a Unicamp e outras instituições apresentaram ao governo federal uma proposta para consolidar a região como polo nacional de tecnologias quânticas, aproximando universidades, centros de pesquisa e setor produtivo.

Apesar dos avanços, a tecnologia ainda enfrenta desafios relacionados à fabricação em larga escala, ao controle dos qubits, à correção de erros e à capacidade de processamento. O desenvolvimento de componentes nacionais, entretanto, amplia as possibilidades de formação de especialistas e de criação de soluções tecnológicas próprias no Brasil.