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Aquecimento global ameaça colapsar 96% dos recifes de corais em até 50 anos
Estudo aponta risco crítico para ecossistemas marinhos, mas ações climáticas e medidas de conservação podem reduzir a proporção de espécies ameaçadas para 24%
Uma avaliação da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) alerta que 96% dos ecossistemas de recifes de corais de águas rasas podem entrar em colapso até 2075. O levantamento considera o avanço do aquecimento global uma das principais ameaças à sobrevivência desses ambientes, fundamentais para o equilíbrio dos oceanos.
A análise abrange recifes de águas quentes e rasas distribuídos por 127 regiões tropicais e subtropicais, em uma área total de 188 mil quilômetros quadrados. De acordo com a organização, a perspectiva de aumento das temperaturas representa um risco crescente para esses ecossistemas em diferentes partes do mundo.
No cenário intermediário considerado pela IUCN, o aquecimento da atmosfera pode atingir 2,7 °C até o final do século. A elevação das temperaturas intensifica o estresse térmico nos oceanos, apontado como a ameaça mais consistente para o declínio dos recifes.
Impactos nos oceanos
Os recifes de corais desempenham um papel essencial na manutenção da biodiversidade marinha. Esses ecossistemas abrigam cerca de um quarto das espécies marinhas e também funcionam como indicadores das condições ambientais dos oceanos.
A degradação dessas estruturas compromete a disponibilidade de alimentos, abrigo e áreas de reprodução para diversas espécies. Os impactos também alcançam as populações que vivem no litoral e dependem dos recursos marinhos para sobreviver.
"Seu declínio está privando inúmeras espécies de alimentos, abrigos e criadouros de que dependem, ao mesmo tempo que ameaça a segurança e os meios de subsistência das comunidades costeiras e prejudica os principais setores econômicos, como a pesca, a aquicultura e o turismo costeiro", disse a diretora-geral da IUCN, Grethel Aguilar.
Conservação pode reverter cenário
Apesar da gravidade das projeções, a organização ressalta que o risco de colapso não significa que os recifes estejam condenados. Segundo a avaliação, esses ecossistemas demonstram uma capacidade significativa de recuperação, desde que sejam adotadas medidas para conter as ameaças que enfrentam.
A IUCN destaca que a combinação de ações climáticas ambiciosas com iniciativas direcionadas à conservação pode reduzir de 96% para 24% a proporção de espécies classificadas como criticamente ameaçadas no cenário apresentado.
O resultado reforça a importância de medidas para enfrentar o aquecimento global e proteger os ambientes marinhos. Embora a pressão sobre os recifes continue elevada, a adoção de estratégias de mitigação climática e conservação pode contribuir para preservar esses ecossistemas e os recursos naturais dos quais dependem milhares de espécies e comunidades costeiras.

