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Telescópio James Webb identifica sinal cósmico misterioso no campo profundo

O fenômeno intrigou os astrofísicos: o sinal é suficientemente intenso para ser detectado no infravermelho, mas nem o telescópio Hubble nem as primeiras observações do próprio JWST haviam registrado qualquer atividade nesse ponto do céu

Por Sputnik Brasil 18/10/2026 12h12
Telescópio James Webb identifica sinal cósmico misterioso no campo profundo
Foto: © Foto / NASA; ESA; G. Illingworth, D. Magee, and P. Oesch, University of California, Santa Cruz; R. Bouwens, Leiden University; and the HUDF09 Team

O Telescópio Espacial James Webb (JWST) detectou um sinal espectral enigmático em uma das áreas mais estudadas do Universo: o Campo Ultra Profundo do Hubble (HUDF), localizado na constelação de Fornalha. A famosa imagem do HUDF revela cerca de 10.000 galáxias em diferentes estágios de formação.

No local onde mapas anteriores indicavam apenas um vazio absoluto, o instrumento NIRSpec do JWST registrou, em duas ocasiões distintas com intervalo de quase três meses, uma linha de radiação brilhante e isolada, que não corresponde a nenhuma classe conhecida de objetos cósmicos. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Astrophysical Journal.

O fenômeno intrigou os astrofísicos: o sinal é suficientemente intenso para ser detectado no infravermelho, mas nem o telescópio Hubble nem as primeiras observações do próprio JWST haviam registrado qualquer atividade nesse ponto do céu.

A região na constelação austral de Fornalha é alvo de estudos há décadas. A clássica imagem profunda do Hubble, obtida após mais de 270 horas de exposição, reúne cerca de 10.000 galáxias antigas. No entanto, um grupo liderado por Mason Huberty, da Universidade de Minnesota, decidiu utilizar o espectrógrafo infravermelho NIRSpec de uma forma inovadora.

O espectrógrafo dispersa a luz em diferentes comprimentos de onda. Quando uma fonte emite fortemente em um comprimento específico, surge uma linha brilhante — a chamada linha de radiação — no espectro. Normalmente, os cientistas identificam primeiro uma galáxia na imagem, para depois analisar seu espectro. Neste caso, o processo foi inverso: a descoberta partiu da observação de uma linha brilhante, sugerindo a presença de uma fonte invisível nas imagens.

O NIRSpec registrou uma linha única e clara em um comprimento de onda de aproximadamente 1,6 micrômetro. A grande anomalia está no isolamento absoluto dessa linha, já que espectros de corpos cósmicos comuns apresentam várias linhas interligadas.

Como a expansão do Universo estende o comprimento de onda da luz, não é possível determinar a distância da fonte apenas por uma linha espectral. Os pesquisadores analisaram quatro hipóteses: uma galáxia jovem do Universo primitivo, uma galáxia tênue próxima, uma explosão de supernova e a destruição de uma estrela por um buraco negro supermassivo. Nenhuma dessas explicações, porém, é plenamente satisfatória.

Os autores destacam que apenas observações espectroscópicas adicionais, ainda mais profundas, poderão desvendar a verdadeira natureza desse objeto misterioso.

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