Ciência, tecnologia e inovação
Planeta se forma a partir das cinzas de estrela morta e intriga cientistas
Descoberta pode ajudar a compreender o que ocorrerá com o Sistema Solar quando o Sol chegar ao fim de sua existência, em cerca de 6 bilhões de anos
Astrônomos identificaram, pela primeira vez, um planeta de segunda geração em órbita de uma anã branca — remanescente de uma estrela semelhante ao Sol. O planeta, com dimensões próximas às de Júpiter, teria se originado do material expelido pela estrela moribunda, trazendo novas perspectivas sobre o destino do Sistema Solar.
O achado é inédito: trata-se do primeiro registro de um planeta desse tipo ao redor de uma anã branca, núcleo remanescente de uma estrela solar após o fim de seu ciclo de vida. A descoberta pode ajudar a compreender o que ocorrerá com o Sistema Solar quando o Sol chegar ao fim de sua existência, em cerca de 6 bilhões de anos.
Planetas de segunda geração se formam a partir do material expelido por estrelas durante os estágios finais de evolução. Embora cientistas já cogitassem sua existência ao redor de estrelas de nêutrons, a confirmação de um deles em torno de uma anã branca surpreendeu a comunidade científica.

Segundo os pesquisadores, o planeta teria surgido literalmente das "cinzas" da estrela que antes orbitava.
Anãs brancas se formam quando estrelas de massa semelhante à do Sol esgotam o combustível nuclear em seus núcleos. Sem a energia da fusão, a estrutura estelar colapsa, as camadas externas se expandem e a estrela se transforma temporariamente em uma gigante vermelha. No caso do Sol, esse processo deve engolir os planetas internos, incluindo a Terra.
Após essa fase, as camadas externas são expelidas e podem formar um disco de material ao redor do remanescente estelar. O objeto estudado, a anã branca HS 0209+0832, localizada a cerca de 790 anos-luz da Terra, se destacou por apresentar concentrações elevadas de elementos como zinco, cobre e nióbio em sua atmosfera — cerca de mil vezes superiores às do Sol.
Os cientistas interpretam essa composição química como evidência do chamado "processo s", mecanismo nuclear responsável pela formação de elementos pesados no interior de estrelas em fase de gigante vermelha. Como essa assinatura não deveria existir em planetas formados junto com a estrela original, ela indica que o material observado se originou de um planeta surgido posteriormente, a partir dos detritos estelares.
A equipe sugere que a formação do planeta exigiu condições incomuns, em que parte do material ejetado permaneceu em órbita graças à influência gravitacional de uma estrela companheira, formando um disco protoplanetário capaz de dar origem a um novo mundo.

De acordo com dados do TESS, o planeta tem tamanho semelhante ao de Júpiter e completa uma órbita ao redor da anã branca em apenas 4,4 dias. A intensa radiação recebida está gradualmente evaporando sua atmosfera, fenômeno que contribui para a assinatura química peculiar detectada pelos pesquisadores.
Além de abrir caminho para a localização de outros mundos "renascidos", a descoberta sugere que futuros sistemas planetários — inclusive o que poderá surgir após a morte do Sol — possam dar origem a novos planetas a partir dos restos de estrelas extintas.
