Ciência, tecnologia e inovação
James Webb identifica superterra de lava com atmosfera a 154 anos-luz
Para analisar o HD 3167 b, a equipe utilizou o instrumento MIRI, do Telescópio Espacial James Webb (JWST), realizando observações durante o eclipse secundário — quando o planeta passa atrás de sua estrela
Astrônomos descobriram uma superterra rochosa, o HD 3167 b, localizada a 154 anos-luz da Terra, que desafia os modelos científicos atuais ao apresentar uma atmosfera preservada e temperaturas inferiores ao esperado para mundos de lava tão próximos de suas estrelas.
O HD 3167 b completa uma órbita em apenas um dia terrestre, permanecendo muito próximo de sua estrela e, teoricamente, sujeito a intensa radiação e ventos estelares. Apesar dessas condições extremas, o planeta conseguiu manter uma atmosfera, reforçando a hipótese de que mundos de lava podem preservar envoltórios gasosos mesmo sob forte exposição estelar.

Segundo o estudo que detalha a descoberta, o exoplaneta se destaca em meio à crescente diversidade de mundos identificados fora do Sistema Solar. Desde a confirmação do primeiro exoplaneta há mais de 30 anos, já foram catalogados mais de 6.300 planetas, incluindo gigantes gasosos, corpos semelhantes a Netuno e rochosos cobertos por oceanos de lava.
Para analisar o HD 3167 b, a equipe utilizou o instrumento MIRI, do Telescópio Espacial James Webb (JWST), realizando observações durante o eclipse secundário — quando o planeta passa atrás de sua estrela. Esse método permitiu medir variações na radiação infravermelha e estimar suas temperaturas.
Assim como outros mundos de lava, o HD 3167 b apresenta acoplamento de maré, mantendo sempre a mesma face voltada para a estrela. Sem atmosfera, o lado diurno deveria atingir temperaturas extremas, próximas ao limite teórico para sua órbita. No entanto, os dados mostraram que o planeta é significativamente mais frio do que previam os modelos tradicionais.
Os pesquisadores concluíram que a atmosfera do HD 3167 b provavelmente reflete parte da luz estelar e redistribui o calor para o lado noturno, reduzindo a temperatura da face iluminada. Com isso, o planeta se tornou o mundo de lava mais frio com atmosfera já registrado, levantando novas questões sobre a formação e preservação dessas camadas gasosas em ambientes extremos.
A descoberta faz parte de um programa que investiga dez mundos de lava para compreender em quais faixas de temperatura esses planetas conseguem desenvolver atmosferas. O objetivo é reconstruir as condições da Terra primitiva e ampliar o conhecimento sobre a evolução de planetas rochosos no Universo.
Por Sputnik Brasil
