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Exoplaneta desafia cientistas ao exibir órbita retrógrada e desalinhada

Diante da ausência de explicações tradicionais, os cientistas cogitam novas hipóteses

Por Sputnik Brasil 23/09/2026 14h02
Exoplaneta desafia cientistas ao exibir órbita retrógrada e desalinhada
Foto: © Sputnik / Gerado por IA

Um exoplaneta situado a 73 anos-luz da Terra intrigou a comunidade científica ao apresentar uma órbita retrógrada e altamente desalinhada, contrariando o alinhamento normalmente observado entre planetas e suas estrelas. Sem a presença de um companheiro massivo que explique tal desvio, o caso desafia teorias tradicionais sobre a formação e evolução de sistemas planetários.

O exoplaneta GJ 3090 b, que orbita uma anã vermelha, não apenas percorre uma trajetória extremamente desalinhada, como também se move de forma retrógrada — na direção oposta à rotação de sua estrela —, comportamento considerado raro em sistemas planetários.

GJ 3090 b é um exoplaneta semelhante a Netuno que orbita uma estrela de baixa massa e baixa temperatura (tipo M). Sua massa é de 3,34 vezes a da Terra, ele leva 2,9 dias para completar uma órbita ao redor de sua estrela e está a uma distância de 0,03165 unidades astronômicas (UA) dela. Sua descoberta foi anunciada em 2022
GJ 3090 b é um exoplaneta semelhante a Netuno, com massa de 3,34 vezes a da Terra, período orbital de 2,9 dias e distância de 0,03165 unidades astronômicas de sua estrela. Descoberto em 2022.

O achado surpreendeu os pesquisadores, já que órbitas tão extremas costumam ser atribuídas à influência de um objeto massivo, como outro planeta gigante, uma anã marrom ou até uma estrela. No entanto, GJ 3090 b parece não ter nenhum companheiro próximo que justifique tamanha perturbação orbital.

Segundo Yann Carteret, da Universidade de Genebra, o planeta "não apenas possui uma órbita altamente desalinhada, mas também orbita de forma retrógrada", destacando o caráter singular do sistema. A equipe buscou medir o ângulo Psi, que indica a diferença entre o plano orbital do planeta e o equador da estrela.

Normalmente, planetas se formam em discos de gás e poeira alinhados com a rotação estelar, o que resulta em órbitas coplanares e no mesmo sentido do giro da estrela. O ângulo Psi surge quando perturbações alteram essa configuração inicial. Para comparação, o Psi da Terra é de apenas sete graus.

Classificado como sub-Netuno, com 2,2 raios e 4,5 massas terrestres, GJ 3090 b apresentou um Psi de 136 graus, medido com o espectrógrafo NIRPS, do Observatório de La Silla, no Chile. De acordo com Léna Parc, da equipe de pesquisa, a precisão no infravermelho foi fundamental para determinar esse ângulo em um planeta de dimensões reduzidas.

Com isso, o sistema passa a integrar um grupo seleto de apenas cinco já observados com Psi acima de 70 graus. Nos demais casos, sempre há um objeto massivo que justifica o desalinhamento, tornando GJ 3090 b ainda mais intrigante para os astrônomos.

Diante da ausência de explicações tradicionais, os cientistas cogitam novas hipóteses. Vincent Bourrier, também da Universidade de Genebra, sugere que a estrela pode ter incorporado um disco secundário desalinhado e retrógrado, onde os planetas se formaram. A falta de respostas convencionais abre espaço para investigações que podem transformar o entendimento sobre a formação de sistemas planetários.

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