Ciência, tecnologia e inovação

Mina de sal pré-histórica na Áustria revela 'arquivo' de 2.500 anos

Esses vestígios fornecem evidências sobre a alimentação, o vestuário e as condições de vida dos antigos trabalhadores. A mineração em Hallstatt começou há cerca de 7.300 anos, atingiu escala quase industrial por volta de 1200 a.C.

Por Sputnik Brasil 21/09/2026 16h04 - Atualizado em 21/09/2026 16h04
Mina de sal pré-histórica na Áustria revela 'arquivo' de 2.500 anos
Foto: © Foto / NHM Viena

Arqueólogos que atuam na histórica mina de sal de Hallstatt, na Áustria, identificaram um extenso complexo de câmaras de mineração da Idade do Ferro, com cerca de 300 metros de extensão sob a montanha, conforme divulgado pelo portal Arkeonews.

Segundo a reportagem, o sistema subterrâneo é formado por diversas câmaras amplas, dispostas lado a lado e sobrepostas, evidenciando a escala e a organização da mineração de sal na pré-história.

"Camadas de detritos de mineração com até nove metros de espessura preservaram, por cerca de 2.500 anos, tecidos, ferramentas, tigelas de madeira, restos de alimentos e excrementos humanos, proporcionando aos pesquisadores um panorama excepcionalmente detalhado da vida e do trabalho sob a montanha", destaca a publicação.

De acordo com o texto, a alta concentração de sal no local permitiu a conservação de materiais orgânicos como madeira, couro, tecidos e alimentos, transformando a mina em um verdadeiro arquivo arqueológico da vida laboral pré-histórica.

Os pisos das câmaras acumulam até nove metros de detritos resultantes da atividade mineradora, incluindo lascas de madeira queimada usadas para iluminação, ferramentas danificadas, fragmentos de roupas, restos de alimentos e dejetos humanos.

Esses vestígios fornecem evidências sobre a alimentação, o vestuário e as condições de vida dos antigos trabalhadores. A mineração em Hallstatt começou há cerca de 7.300 anos, atingiu escala quase industrial por volta de 1200 a.C. e foi retomada diversas vezes após deslizamentos de terra.

No solo, pesquisadores observaram a evolução dos cabos de ferramentas da Idade do Ferro, além de métodos semelhantes aos empregados por outras comunidades mineradoras dos Alpes.

Os estudiosos também planejam estabilizar e reabrir antigos túneis de acesso, permitindo que áreas de descobertas sejam reexaminadas com técnicas analíticas modernas, incluindo análises genéticas e biológicas, para reconstruir a vida dos mineiros da época, conclui a reportagem.

Por Sputnik Brasil