Ciência, tecnologia e inovação

Cientistas chineses criam método de refino de petróleo

De acordo com informações divulgadas pelo South China Morning Post, caso a tecnologia seja adotada em escala industrial, o método poderá não apenas reduzir drasticamente os custos de produção e as emissões de poluentes

Por Sputnik Brasil 14/09/2026 16h04
Cientistas chineses criam método de refino de petróleo
Foto: © AP Photo / Departamento de Energia dos EUA

Pesquisadores do Instituto de Física Química de Dalian, na China, desenvolveram uma técnica inovadora de "refino molecular" que utiliza membranas químicas para separar as diferentes moléculas presentes no petróleo bruto.

De acordo com informações divulgadas pelo South China Morning Post, caso a tecnologia seja adotada em escala industrial, o método poderá não apenas reduzir drasticamente os custos de produção e as emissões de poluentes, como também permitir maior precisão na separação dos componentes e aumentar o valor comercial dos derivados do petróleo.

O petróleo bruto, por não poder ser convertido diretamente em combustíveis ou plásticos, precisa ser fracionado em diferentes componentes antes do processamento. Tradicionalmente, essa separação é realizada por destilação, um processo que exige aquecimento prolongado para evaporar e condensar as substâncias repetidas vezes — uma das etapas mais intensivas em energia da indústria petroquímica.

O novo método emprega membranas de estrutura metalorgânica que funcionam como peneiras de ultraprecisão, com poros e hidrofobicidade projetados sob medida para selecionar moléculas específicas, seja por diferenças mínimas de tamanho ou por propriedades químicas de superfície.

O procedimento é realizado em cascata, dividido em duas etapas principais. Na primeira, a membrana classifica as moléculas pelo tamanho, separando alcanos lineares e monobranqueados — que diferem por apenas 0,1 nanômetro — para produção de etileno. Na segunda etapa, outra membrana discrimina diferenças ainda menores, inferiores a 0,01 nanômetro, isolando compostos aromáticos usados na fabricação de plásticos, resinas e fibras.

Para alcançar esse grau de precisão, a equipe aplicou um método de microcorrosão com ácido tânico, capaz de ajustar continuamente o tamanho dos poros e a química da superfície das membranas.

Em testes laboratoriais com uma mistura simulada de nafta leve contendo 15 componentes, as membranas integradas conseguiram separar três grupos de produtos de alto valor agregado, com taxas de recuperação entre 85% e 90%.

Ao eliminar os ciclos repetidos de aquecimento, vaporização e condensação, a pesquisa registrou uma economia de energia de 91% em comparação à destilação convencional. Segundo os cientistas, esse novo paradigma de classificação gradual pode estabelecer as bases para uma plataforma de refino petroquímico mais eficiente e sustentável, maximizando a extração de valor e minimizando o impacto ambiental.

Por Sputnik Brasil