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Fusão de buracos negros pode ter sido ilusão criada por lente gravitacional

Por Sputnik Brasil 10/09/2026 12h12
Fusão de buracos negros pode ter sido ilusão criada por lente gravitacional
Foto: © Sputnik / Gerado por IA

Uma nova análise de um evento astronômico extraordinário indica que a fusão de buracos negros detectada pelo LIGO, em novembro de 2023, pode ter tido suas massas superestimadas devido ao efeito de lente gravitacional. A distorção do espaço-tempo teria amplificado o sinal observado, criando a impressão de que os objetos envolvidos eram maiores do que realmente eram.

O estudo investigou o sinal GW231123, que inicialmente sugeria a fusão de dois buracos negros extremamente massivos, com 140 e 100 vezes a massa do Sol — algo difícil de ser explicado pelos modelos tradicionais de evolução estelar. Cientistas vinham tentando entender como um sistema binário tão incomum poderia ter se formado, mas a equipe responsável pela nova pesquisa afirma que essas massas elevadas foram resultado de uma ilusão observacional.

Uma simulação da fusão de buracos negros
Uma simulação da fusão de buracos negros

De acordo com os pesquisadores, o fenômeno que explicaria essa ilusão é a lente gravitacional, prevista pela teoria da relatividade geral de Einstein. Objetos extremamente massivos podem distorcer o espaço-tempo e alterar o caminho da luz — ou, neste caso, das ondas gravitacionais — fazendo com que sinais cheguem à Terra amplificados ou modificados. Esse efeito pode criar a falsa impressão de que os buracos negros envolvidos eram muito maiores.

Esta ilustração mostra um fenômeno conhecido como lente gravitacional, que é usado por astrônomos para estudar galáxias muito distantes e muito tênues. Observe que a escala foi bastante exagerada neste diagrama. Na realidade, a galáxia distante está muito mais distante e muito menor. Aglomerados de lente gravitacional são aglomerados de galáxias elípticas cuja gravidade é tão forte que curvam a luz das galáxias atrás delas. Isso produz imagens distorcidas e, muitas vezes, múltiplas da galáxia de fundo. Mas, apesar dessa distorção, as lentes gravitacionais permitem observações muito melhoradas, pois a gravidade curva o caminho da luz em direção ao Hubble, amplificando a luz e tornando objetos de outra forma invisíveis observáveis. Uma equipe de astrônomos usou Abell 383, uma dessas lentes gravitacionais, para observar uma galáxia distante cuja luz é resolvida em duas imagens pelo aglomerado
Esta ilustração mostra um fenômeno conhecido como lente gravitacional, utilizado por astrônomos para estudar galáxias muito distantes e tênues. Apesar da distorção, as lentes gravitacionais permitem observações aprimoradas ao amplificar a luz e tornar objetos antes invisíveis observáveis.

Os cientistas explicam que as ondas gravitacionais, assim como a luz, podem ser desviadas, amplificadas e até divididas em múltiplos sinais. Efeitos de difração e interferência ajudam a identificar eventos afetados por lentes gravitacionais. Para testar essa hipótese, a equipe desenvolveu um modelo matemático e um software capaz de analisar rapidamente essas distorções.

O estudo concluiu que, se o sinal tivesse sido desviado por um objeto compacto entre 190 e 850 massas solares — ou por uma estrutura extensa, como um aglomerado globular — as massas aparentes dos buracos negros poderiam ser explicadas sem exigir rotações extremas. Com essa correção, o sistema teria cerca de 140 massas solares no total, e não 240, como estimado inicialmente.

A natureza da lente gravitacional ainda é incerta. Os cientistas ressaltam que objetos compactos com massas entre 100 e 1.000 sóis são extremamente raros, e pesquisas futuras deverão investigar se tais lentes podem se formar ou se um conjunto de objetos mais leves seria capaz de produzir o mesmo efeito observado no sinal GW231123.

A equipe também ressalta que ainda não é possível afirmar com certeza que este é o primeiro caso de ondas gravitacionais afetadas por lente gravitacional.

Mesmo assim, o estudo reforça como a astronomia de ondas gravitacionais pode revelar fenômenos extremos do Universo e oferecer novas ferramentas para investigar fusões de buracos negros e estruturas massivas capazes de distorcer o espaço-tempo.