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Proliferação de satélites ameaça observações astronômicas, aponta estudo

Por Agência Brasil 20/08/2026 10h10
Proliferação de satélites ameaça observações astronômicas, aponta estudo

À medida que milhares de novos satélites são lançados em órbita, astrônomos enfrentam desafios cada vez maiores para observar o cosmos. A constatação é de um estudo do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), responsável por operar telescópios no norte do Chile.

De acordo com o levantamento, as atuais propostas para colocar mais de 1,7 milhão de satélites em órbita — alguns deles extremamente brilhantes — podem prejudicar substancialmente as observações astronômicas. Atualmente, cerca de 15 mil satélites orbitam a Terra.

Rastros luminosos deixados pelos satélites afetam o funcionamento dos observatórios e comprometem a qualidade das imagens do céu noturno.

“Cada um desses satélites, ao cruzar o campo de visão de um telescópio, deixa uma linha brilhante”, explica o astrônomo Olivier Hainaut, do ESO, autor do estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics.

Embora um único rastro possa ser apenas um incômodo, a multiplicação desses sinais representa um problema grave. Cada traço de luz obscurece parte da visão espacial do telescópio, destaca Hainaut.

O setor global de satélites cresceu de forma acelerada desde 2019, impulsionado por serviços de internet como o Starlink, da SpaceX, e o projeto Leo, da Amazon.

O estudo baseou-se em simulações realizadas no Observatório de Paranal, no Deserto do Atacama, Chile. Uma das análises considerou uma constelação de até 1 milhão de satélites, com milhares de objetos luminosos visíveis acima do Very Large Telescope (VLT) do ESO logo após o pôr do sol.

Segundo Hainaut, o impacto depende tanto do número quanto do brilho dos satélites em órbita.

“Se houver 100 mil, esse é um nível de impacto suportável”, afirma o astrônomo.

Porém, com 300 mil satélites, alguns telescópios poderiam perder a maior parte dos seus dados, alerta o especialista.

Apesar das preocupações, os pesquisadores reconhecem os benefícios dos serviços de internet via satélite e ressaltam que o desafio é equilibrar avanços tecnológicos com as necessidades da pesquisa científica.

“O problema é que esse tipo de pesquisa leva tempo, mas os satélites já estão sendo lançados”, pontua Hainaut.