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Medo sob a terra: abrigo da Segunda Guerra Mundial revela cotidiano civil

Arqueólogos descobriram um abrigo antiaéreo oculto sob uma área de construção planejada na cidade alemã de Quedlinburg

Por Sputnik Brasil 31/07/2026 14h02
Medo sob a terra: abrigo da Segunda Guerra Mundial revela cotidiano civil
Arqueólogos tiveram acesso a um raro retrato da vida civil e das estratégias de sobrevivência durante os anos finais da Segunda Guerra Mundial - Foto: © Foto / Secretaria Estadual de Gestão do Patrimônio e Arqueologia da Saxônia-Anhalt, Olaf Schröder

Arqueólogos tiveram acesso a um raro retrato da vida civil e das estratégias de sobrevivência durante os anos finais da Segunda Guerra Mundial, graças à descoberta inesperada de um abrigo antiaéreo oculto sob uma área de construção planejada na cidade alemã de Quedlinburg, conforme noticiou a revista Archaeology News.

De acordo com a publicação, o abrigo foi identificado durante as obras iniciais para a construção de uma casa. Assim que trabalhadores encontraram o topo de uma estrutura abobadada de concreto, arqueólogos iniciaram uma investigação detalhada.

"Essa descoberta mostra que a arqueologia moderna vai muito além da história antiga. Sítios do passado recente frequentemente preservam detalhes do cotidiano ignorados pelos registros escritos. Neste caso, o abrigo revela como a população local se preparava para a ameaça crescente de ataques aéreos em toda a Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial", destaca a matéria.

Localizada em um cume com vista para um vale, a cerca de 600 metros do centro histórico da cidade, a estrutura se estendia por quase todo o terreno destinado à nova construção, segundo a revista.

O abrigo era composto por uma trincheira coberta de 20 metros, com duas passagens laterais e área aproximada de 20 por 14 metros — um projeto que oferecia proteção contra estilhaços e detritos, mas não contra impactos diretos.

A construção foi realizada em seções, utilizando concreto batido não reforçado. As paredes laterais e o piso tinham cerca de 45 centímetros de espessura, enquanto o teto semicircular possuía aproximadamente 20 centímetros de largura, ainda apresentando marcas da fôrma de madeira, detalha o texto.

Cinco aberturas quadradas no teto e eclusas de ar com portas duplas garantiam ventilação e vedação durante os ataques aéreos.

Após a guerra, os poços de ventilação foram ampliados e grande parte do interior foi preenchida com terra, deixando cerca de dois terços do abrigo enterrados. Posteriormente, uma área de lazer foi construída no local, fazendo com que a existência do abrigo fosse esquecida pelos moradores.

Embora o acesso tenha sido limitado pelo preenchimento, os arqueólogos conseguiram recuperar itens como grampos de ferro, restos de caixas de fusíveis e o que seria um banheiro de emergência em uma das extremidades.

As próprias paredes do abrigo preservam marcas do período de guerra, servindo como um lembrete concreto das defesas civis contra os bombardeios e das horas de tensão vividas no subsolo há mais de 80 anos, conclui a reportagem.