Ciência, tecnologia e inovação

Extinção em massa dos dinossauros não foi a maior que a Terra já passou

Especialistas explicam como esses eventos moldaram a vida no planeta

Por Redação* 27/07/2026 12h12
Extinção em massa dos dinossauros não foi a maior que a Terra já passou
Planeta Terra - Foto: Reprodução

O impacto do asteroide que levou à extinção dos dinossauros há 66 milhões de anos é o episódio mais conhecido da história da Terra, mas está longe de ter sido o mais devastador. Ao longo de 4,5 bilhões de anos, o planeta passou por cinco grandes extinções em massa, fenômenos que eliminaram grande parte das espécies e remodelaram completamente os ecossistemas.

Segundo o paleontólogo Julian Silva Junior, da Universidade de São Paulo (USP), um evento é considerado uma extinção em massa quando pelo menos 75% das espécies desaparecem em um período relativamente curto na escala geológica.

“Além da quantidade de espécies eliminadas, esses eventos têm alcance global, afetam diferentes grupos de organismos e provocam uma reorganização profunda dos ecossistemas. E ‘rápido’, para a geologia, pode significar desde alguns anos até milhares ou centenas de milhares de anos”, explica.

Entre os cinco episódios, o mais severo ocorreu há cerca de 252 milhões de anos, na transição entre os períodos Permiano e Triássico. A combinação de intenso vulcanismo, aquecimento global e acidificação dos oceanos provocou a extinção de aproximadamente 90% das espécies marinhas, tornando esse o maior colapso da biodiversidade já registrado.

As demais grandes extinções ocorreram entre os períodos Ordoviciano e Siluriano, Devoniano tardio, Triássico e Jurássico e, por fim, no Cretáceo-Paleógeno, quando o impacto de um asteroide contribuiu para o desaparecimento dos dinossauros não avianos.

De acordo com a paleontóloga Flavia Callefo, do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), não existe uma única causa para esses eventos.

“As mudanças climáticas aparecem em todos esses eventos, mas elas costumam atuar em conjunto com outros fatores, como grandes episódios de vulcanismo, alterações nos oceanos e, em um único caso, o impacto de um asteroide”, afirma.

A pesquisadora destaca que, ao contrário da ideia popular, colisões de asteroides foram exceção entre as grandes extinções.

“Ao contrário do que muita gente pensa, impactos de asteroides foram raros. Esse mecanismo explica principalmente a extinção do fim do Cretáceo”, diz.

Após cada uma dessas crises, a recuperação da vida levou milhões de anos. Segundo Callefo, novas espécies ocuparam os espaços deixados pelas que desapareceram, mas os ecossistemas nunca voltaram a ser exatamente como eram antes.

“Novas espécies evoluem e ocupam os espaços deixados pelos grupos que desapareceram. A Terra se recupera, mas não volta ao estado anterior”, conclui.

*Informações de Metrópoles Saúde e Ciência