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Astrofísicos questionam expansão acelerada do Universo
Desde 1929, quando Edwin Hubble observou estrelas pulsantes, sabe-se que o Universo está em expansão
A teoria da expansão acelerada do Universo pode estar baseada em um efeito sistêmico não considerado, segundo artigo publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. O estudo coloca em xeque uma das bases da cosmologia moderna: a energia escura.
Desde 1929, quando Edwin Hubble observou estrelas pulsantes, sabe-se que o Universo está em expansão. Já na década de 1990, observações de supernovas do tipo Ia indicaram que essa expansão ocorria de forma acelerada, o que levou à introdução do conceito de energia escura para explicar o fenômeno, conforme destaca o portal Phys.org.
Em um novo artigo, o professor Subir Sarkar, da Universidade de Oxford, e colegas apontam que os defensores da expansão acelerada não consideram um efeito relacionado às supernovas antigas, capaz de alterar a compreensão atual. Para a análise, os pesquisadores utilizaram o catálogo Pantheon+, o mais atualizado do tipo, com 1.701 supernovas, incorporando diversas críticas à metodologia vigente.
Um dos pontos centrais do estudo vem de pesquisadores da Universidade Yonsei, em Seul, que acumularam dados mostrando que supernovas Ia podem não ser tão confiáveis como indicadores de distância quanto se pensava. Elas parecem mais tênues quando explodem em galáxias jovens. Como a luz dessas explosões leva tempo para chegar até nós, enxergamos galáxias distantes em sua juventude. Se essas supernovas são sistematicamente mais tênues, os cientistas podem estar superestimando as distâncias e, assim, a velocidade da expansão do Universo.
"Há evidências crescentes de que o brilho das supernovas do Tipo Ia depende da idade das estrelas de onde elas vêm", explica Sarkar, coautor do estudo. "Se esse efeito não for considerado, pode-se chegar à conclusão equivocada de que a expansão está acelerando."
Ao incluir a correção proposta pelo grupo de Seul, Sarkar e seus colegas concluíram que a expansão do Universo pode não estar acelerando — e talvez até esteja desacelerando. Com isso, a necessidade da energia escura seria colocada em dúvida, segundo os autores.
No entanto, o trabalho aborda apenas uma das evidências em favor da energia escura. "Não é suficiente para derrubar o paradigma estabelecido", pondera o professor Joshua Frieman, do Laboratório Nacional de Aceleradores do SLAC. Ele ressalta: "Temos evidências confiáveis de aceleração cósmica a partir de diversas fontes independentes, como outros catálogos de supernovas, dados de estrutura em larga escala e radiação cósmica de fundo em micro-ondas, e não acredito que esses resultados os coloquem em dúvida".
Por Sputnik Brasil

