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Pesquisa da UFPA identifica microplásticos em girinos da Amazônia

O estudo encontrou partículas em todos os animais analisados e alerta para os impactos da poluição

Por Redação 21/07/2026 14h02
Pesquisa da UFPA identifica microplásticos em girinos da Amazônia
Filhotes de sapos da Amazônia estão contaminados com microplástico desde as primeiras fases de desenvolvimento, revela pesquisa - Foto: Bruno Ferreira

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) identificou, pela primeira vez, a presença de microplásticos em girinos da Amazônia. A pesquisa revelou que todos os 100 animais analisados apresentavam partículas plásticas no organismo.

Os cientistas investigaram girinos da espécie Scinax x-signatus, coletados em cinco lagoas temporárias formadas pelas chuvas no Parque Ecológico do Gunma, em Santa Bárbara do Pará, na região metropolitana de Belém.

Após serem levados ao laboratório, os animais passaram por análises microscópicas, que confirmaram a contaminação. Segundo a bióloga Fabrielle Barbosa de Araújo, autora principal do estudo, o resultado reforça que a poluição por microplásticos alcança até áreas consideradas mais preservadas.

"Nós sabemos que a contaminação por microplásticos é onipresente. Mas, às vezes, imaginamos que essa contaminação não chega em locais mais remotos, e é justamente o contrário", afirmou a pesquisadora.

De acordo com os pesquisadores, os girinos ingerem as partículas porque se alimentam por sucção, absorvendo materiais presentes na água para acumular energia durante o processo de metamorfose.

Além de detectar microplásticos em todos os exemplares, o estudo observou uma associação entre maiores concentrações dessas partículas e menor peso corporal dos girinos.

Segundo Araújo, pesquisas anteriores já haviam encontrado microplásticos na pele, nos pulmões e no sistema digestivo de sapos adultos. Estudos científicos também apontam que essas partículas podem provocar alterações no DNA, prejuízos ao desenvolvimento e deformações em órgãos desses animais.

Os pesquisadores explicam que os microplásticos chegam aos ambientes naturais por diferentes caminhos, como a água da chuva, os ventos, os rios e o descarte inadequado de resíduos.

A contaminação também preocupa pela possibilidade de atingir outros organismos da cadeia alimentar, incluindo peixes e camarões consumidos pela população, ampliando os impactos ambientais e potenciais riscos à saúde humana.

*Informações de BBC Ciência