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Estudo detecta microplásticos no sangue de vítimas de infarto

Pesquisa encontrou maior presença de partículas em pessoas com infarto agudo do miocárdio

Por Redação com Metrópoles 16/07/2026 12h12
Estudo detecta microplásticos no sangue de vítimas de infarto
Estudo foi publicado na revista European Heart Journal - Foto: Reprodução

Um estudo publicado na revista científica European Heart Journal identificou a presença de micro e nanoplásticos no sangue de pacientes que sofreram infarto agudo do miocárdio. A pesquisa, divulgada em 14 de julho de 2026, constatou que as partículas apareceram com maior frequência entre pessoas atendidas após o evento cardíaco do que nos demais participantes analisados.

Os pesquisadores avaliaram 61 pacientes submetidos à investigação de doença arterial coronariana. O grupo foi dividido entre 19 pessoas com infarto agudo do miocárdio, 20 pacientes com doença arterial coronariana crônica e 22 indivíduos com artérias coronárias consideradas normais.

Durante o estudo, foram coletadas amostras de sangue diretamente das artérias do coração e da circulação periférica. Com o uso de técnicas laboratoriais de alta precisão, os cientistas identificaram micro e nanoplásticos, além de analisarem marcadores inflamatórios e fatores como a exposição à poluição do ar.

Os resultados mostraram que pacientes com infarto apresentavam maior concentração e diversidade de partículas plásticas no sangue. O polietileno foi o polímero encontrado com mais frequência. O grupo também registrou níveis mais elevados de marcadores inflamatórios, como a interleucina-6 (IL-6) e o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α).

Outro dado observado foi a associação entre tabagismo e a presença dos microplásticos. Após os ajustes estatísticos, o histórico de fumar foi o único fator que permaneceu relacionado de forma independente à detecção das partículas, aumentando em cerca de 5,7 vezes essa probabilidade.

Apesar dos achados, os autores ressaltam que o estudo não comprova que os micro e nanoplásticos provoquem infarto. Por se tratar de uma pesquisa observacional, os resultados indicam apenas uma associação entre os fatores, sem estabelecer uma relação direta de causa e efeito. Os pesquisadores defendem a realização de estudos mais amplos e com acompanhamento de longo prazo para esclarecer o papel dessas partículas no desenvolvimento de doenças cardiovasculares.