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Meteorito que caiu em casa revela como era a água no início do Sistema Solar

Rocha espacial atravessou o telhado de uma residência em Nova Jersey, nos EUA, e está ajudando cientistas a desvendar mistério

Por Redação com CNN Brasil 16/07/2026 16h04
Meteorito que caiu em casa revela como era a água no início do Sistema Solar
Meteorito atravessou telhado de uma casa em Nova Jersey, nos EUA - Foto: Instituto SETI

Um meteorito que atravessou o telhado de uma casa em Hillsborough, no estado de Nova Jersey (EUA), está ajudando cientistas a desvendar como era a água presente nos primeiros bilhões de anos do Sistema Solar. A rocha espacial, recuperada rapidamente após o impacto e analisada por pesquisadores da Nasa e do Instituto SETI, revelou compostos orgânicos e minerais que podem ampliar o entendimento sobre a origem da vida na Terra.

O meteorito caiu após uma bola de fogo cruzar o céu em julho de 2024, sendo observada em diversos estados do nordeste dos Estados Unidos. Durante a entrada na atmosfera, a rocha viajava a cerca de 14,4 quilômetros por segundo, se fragmentou a aproximadamente 35 quilômetros de altitude e apenas um dos pedaços foi recuperado, justamente o que atingiu o telhado da residência.

Publicado na revista Science Advances, o estudo mostra que o fragmento pertence ao raro grupo dos condritos carbonáceos do tipo CM½, uma categoria extremamente incomum e considerada uma das mais primitivas já encontradas. Por ter sido preservado logo após a queda, o material manteve características químicas praticamente intactas.

As análises identificaram centenas de aminoácidos, muitos deles inexistentes na vida terrestre, além de carbono orgânico e elevadas concentrações de sódio. Os pesquisadores acreditam que esses sais são vestígios de antigas salmouras congeladas que existiam no interior do asteroide de origem, indicando que a água circulou e reagiu com minerais e compostos orgânicos há bilhões de anos.

Segundo os cientistas, essas evidências reforçam a hipótese de que meteoritos primitivos transportaram para a Terra água e moléculas fundamentais para o desenvolvimento da vida. Além disso, o meteorito oferece uma oportunidade rara de estudar a composição interna de um asteroide praticamente sem alterações causadas pelo ambiente terrestre.

A rápida ação dos moradores foi considerada decisiva para o sucesso da pesquisa. Eles recolheram os fragmentos logo após o impacto e protegeram o telhado antes da chuva, evitando que a rocha absorvesse umidade e sofresse contaminação. Atualmente, partes do meteorito estão preservadas no Museu Americano de História Natural, em Nova York, enquanto os pesquisadores continuam investigando sua composição e comparando os resultados com amostras dos asteroides Bennu e Ryugu.