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Disco estelar distante revela organização precoce em galáxias jovens
Astrônomos do Reino Unido identificaram, com o Telescópio Espacial James Webb (JWST), o disco nuclear mais distante já observado, visto apenas 4,5 bilhões de anos após o Big Bang. A descoberta revela que galáxias jovens já apresentavam organização interna complexa muito antes do previsto.
Pesquisadores da Universidade de Durham, no Reino Unido, localizaram, em uma galáxia observada como era há mais de nove bilhões de anos, a estrutura compacta de formação estelar mais distante já registrada. O achado revela um disco nuclear em pleno crescimento numa fase em que o Universo ainda era jovem, oferecendo uma nova janela para a evolução das primeiras galáxias.
Discos densos e rotativos são comuns em galáxias maduras próximas, mas nunca haviam sido detectados tão cedo na história cósmica. A descoberta indica que estruturas internas complexas já existiam muito antes do que se imaginava, desafiando modelos tradicionais de evolução galáctica.
A equipe chegou ao resultado graças à sensibilidade e resolução do JWST, que permite examinar galáxias distantes com detalhes inéditos. Na galáxia analisada, vista apenas 4,5 bilhões de anos após o Big Bang, o disco nuclear aparece ativo, formando estrelas e crescendo de maneira organizada.
Os pesquisadores identificaram ainda uma longa barra estelar atravessando a galáxia, responsável por canalizar gás e estrelas para o centro e alimentar o disco nuclear. Embora já se soubesse que barras podiam surgir cedo, faltavam provas de que elas remodelavam galáxias nessa fase inicial, uma evidência agora fornecida pelo estudo.
Para Zoe Le Conte, autora principal do estudo, o achado obriga astrônomos a revisitar ideias sobre a evolução das galáxias e o papel das barras no Universo primitivo. As imagens do JWST continuam a mostrar que galáxias maduras existiam muito antes do previsto, ampliando o entendimento sobre como essas estruturas se organizam.
Apesar da distância, o disco nuclear recém-detectado compartilha características de discos atuais: é compacto, rico em estrelas jovens e apresenta crescimento ordenado. Isso sugere que galáxias não evoluíram lentamente, mas amadureceram rápido, seguindo trajetórias semelhantes ao longo de bilhões de anos.
As conclusões também têm implicações para o estudo de buracos negros supermassivos, já que discos nucleares podem atuar como reservatórios de gás que os alimentam.
A equipe planeja novas observações para mapear o movimento de estrelas e gás, esclarecendo como o disco se formou e quão eficiente é a barra em direcionar material ao centro.

