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Estudo identifica açúcar no espaço próximo a Via Láctea

Por Sputnik Brasil 14/07/2026 09h09
Estudo identifica açúcar no espaço próximo a Via Láctea
Foto: © Foto / NASA, ESA, Mario Livio (STScI), Hubble 20th Anniversary Team (STScI)

Astrônomos detectaram pela primeira vez a presença de um açúcar no espaço interestelar, próximo ao centro da Via Láctea, utilizando os radiotelescópios Yebes 40-m e IRAM 30-m.

O composto identificado é a eritrulose, um açúcar de quatro carbonos encontrado em framboesas e produtos de bronzeamento artificial, detectado na nuvem molecular G+0,693-0,027.

Os açúcares são fundamentais para a vida, compondo a estrutura do DNA e RNA e funcionando como combustível metabólico. No entanto, a origem desses compostos em quantidades suficientes na Terra primitiva ainda intriga a comunidade científica.

Até então, a presença de ribose e glicose havia sido constatada apenas em meteoritos e em amostras do asteroide Bennu, levantando a hipótese de que parte do inventário de açúcar terrestre poderia ter vindo do espaço. Contudo, esta é a primeira vez que um açúcar é identificado diretamente no meio interestelar. O estudo foi publicado na revista Nature Astronomy.

"Os açúcares são biomoléculas essenciais, servindo como combustíveis metabólicos, componentes de espinha dorsal de ácidos nucleicos e polímeros estruturais ou de armazenamento de energia", explicam o dr. Izaskun Jiménez-Serra, do CSIC-INTA, e sua equipe.

O grupo analisou a nuvem molecular G+0,693-0,027, uma região rica em compostos químicos localizada a cerca de 26.745 anos-luz da Terra, próxima ao centro da galáxia.

"A eritrulose, com 14 átomos em sua estrutura, representa a maior espécie molecular não cíclica identificada até agora no meio interestelar, além de ser a primeira molécula detectada com quatro átomos de oxigênio", destacam os pesquisadores.

Segundo o estudo, trata-se também do primeiro açúcar e da segunda molécula quiral relatada no meio interestelar.

Os resultados indicam que a eritrulose pode se formar a partir de moléculas mais simples presentes em grãos de poeira espacial, tornando-se parte de sistemas químicos cada vez mais complexos.