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Câncer no sangue pode ser descoberto em exames de rotina
Através do hemograma, o paciente pode vir a descobrir a existência da doença antes mesmo de sinais clínicos
O câncer no sangue pode se desenvolver de forma silenciosa, especialmente nos casos de evolução lenta, e permanecer sem provocar sintomas por meses ou até anos. Por isso, o diagnóstico costuma ocorrer durante exames de rotina, antes mesmo do aparecimento de manifestações clínicas.
Segundo especialistas, o hemograma é o principal exame capaz de levantar a suspeita da doença. Alterações persistentes na quantidade de glóbulos brancos, linfócitos, plaquetas ou a presença de células imaturas podem indicar a necessidade de investigação por um hematologista.
De acordo com o hematologista Pedro Neffá, da Oncologia D’Or, algumas leucemias crônicas evoluem lentamente e podem permanecer assintomáticas por longos períodos.
"Não ter sintomas não significa que a doença não exista. Em muitos casos, ela ainda não está causando alterações perceptíveis, mas já pode ser identificada por exames laboratoriais", explica.
Além do hemograma, exames como imunofenotipagem, testes genéticos e análises moleculares podem ser necessários para confirmar o diagnóstico e identificar o tipo de câncer.
Embora muitas pessoas não apresentem sintomas no início da doença, alguns sinais podem surgir com a progressão do quadro, como fadiga persistente, perda de peso sem causa aparente, febre prolongada, suor noturno, infecções frequentes, sangramentos espontâneos, hematomas, aumento dos linfonodos e sensação de aumento do abdômen devido ao crescimento do baço.
A hematologista Regiane Geralda Rosa de Sales, do Hospital Anchieta, ressalta que esses sintomas merecem atenção quando persistem ou aparecem de forma associada.
"Esses sintomas não confirmam um câncer hematológico, mas sua persistência merece avaliação médica para que a causa seja investigada corretamente", afirma.
Os especialistas lembram que diversas doenças benignas também podem provocar alterações semelhantes, tornando indispensável a avaliação médica para confirmar ou descartar o diagnóstico.
Nas leucemias agudas, o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de sucesso do tratamento, especialmente quando realizado antes do aparecimento de infecções graves ou sangramentos. Já nas leucemias crônicas, em muitos casos, o acompanhamento periódico pode ser suficiente até que haja indicação para o início da terapia.
A hematologista Adriana Seber, do Hospital Samaritano Higienópolis, reforça a importância da identificação precoce da doença.
"O diagnóstico preciso, realizado antes de infecções graves ou sangramentos e em centros de referência, aumenta significativamente as chances de cura nas leucemias agudas", destaca.
Apesar de não existir recomendação para o rastreamento populacional do câncer no sangue, os médicos orientam a realização de consultas periódicas e exames quando indicados, o que pode favorecer a detecção precoce de alterações e permitir o tratamento ou acompanhamento no momento mais adequado.
*Informações de Metrópoles
