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Estudo mostra como atrasos da luz influenciam imagens de buracos negros

Pesquisa indica que diferenças no tempo de chegada da luz podem ser decisivas para interpretar fenômenos extremos e aprimorar futuras imagens e filmes desses objetos cósmicos

Por Sputnik Brasil 13/07/2026 08h08 - Atualizado em 13/07/2026 08h08
Estudo mostra como atrasos da luz influenciam imagens de buracos negros
Novo estudo pode aprimorar futuras imagens e filmes produzidos a partir de observações de buracos negros - Foto: © Foto / Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA/Jeremy Schnittman

A gravidade extrema dos buracos negros distorce o espaço-tempo, fazendo com que cada imagem combine luz emitida em momentos distintos. Um novo estudo revela em quais situações esses atrasos precisam ser considerados e como modelos intermediários podem aprimorar futuras imagens e filmes desses objetos cósmicos.

Tradicionalmente, a fotografia é vista como o registro de um instante, mesmo em casos de exposições prolongadas ou fenômenos lentos. No entorno dos buracos negros, porém, essa relação direta com o tempo se desfaz: a intensa deformação do espaço-tempo faz com que uma mesma imagem reúna luz emitida em diferentes momentos, fenômeno que os físicos descrevem como trajetórias de luz "rápida" e "lenta".

Daniel Rojas-Paternina e Alejandro Cárdenas-Avendaño, em estudo aceito pela Physical Review Letters, demonstraram em que situações as diferenças nos tempos de viagem dos fótons realmente importam e quando podem ser ignoradas. Eles usam a analogia com uma fotografia comum, na qual pequenas diferenças de emissão são irrelevantes porque a luz viaja rápido demais para afetar o resultado final.

Esta é a primeira imagem de Sgr A*, o buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia. É a primeira evidência visual direta da presença desse buraco negro. A imagem foi capturada pelo Event Horizon Telescope (EHT), uma rede que conectou oito observatórios de rádio existentes ao redor do planeta para formar um único telescópio virtual do tamanho da Terra. O nome do telescópio vem do horizonte de eventos, a fronteira do buraco negro além da qual nenhuma luz pode escapar
Esta é a primeira imagem de Sgr A*, o buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia. É a primeira evidência visual direta da presença desse buraco negro. A imagem foi capturada pelo Event Horizon Telescope (EHT), uma rede que conectou oito observatórios de rádio existentes ao redor do planeta para formar um único telescópio virtual do tamanho da Terra. O nome do telescópio vem do horizonte de eventos, a fronteira do buraco negro além da qual nenhuma luz pode escapar

As imagens dos buracos negros M87* e Sgr A* não mostram o buraco negro em si, mas sua sombra cercada por um halo de gás superaquecido. Combinando observações e simulações, cientistas conseguem modelar a evolução desse material, criando até filmes simulados do fluxo de matéria e luz ao redor desses objetos extremos.

A velocidade da luz é constante, mas o caminho percorrido por ela muda sob gravidade intensa. Alguns fótons viajam por trajetórias quase diretas, enquanto outros contornam o buraco negro antes de chegar ao detector, fazendo com que uma mesma imagem reúna emissões separadas no tempo. O modelo de luz rápida considera essas diferenças desprezíveis; já o de luz lenta preserva cada atraso, mas exige muito mais capacidade computacional.

Estudos anteriores apontavam que o modelo de luz rápida era suficiente quando o disco de acreção mudava pouco entre os momentos. Porém, em ambientes turbulentos, com oscilações intensas e redemoinhos, fótons emitidos antes e depois de um clarão podem chegar juntos ao observador, tornando esses atrasos essenciais para interpretar a imagem.

O desafio está em equilibrar dois ritmos: a velocidade das mudanças no gás e a separação temporal entre os fótons. Para isso, os autores propuseram um modelo intermediário, denominado luz quase rápida, que preserva parte da estrutura temporal sem exigir o mesmo custo computacional da luz lenta. Em muitos casos, ele se aproxima dos resultados mais precisos, mantendo a viabilidade de processamento.

As imagens icônicas de M87* e Sgr A* não precisam ser reinterpretadas, pois foram obtidas em ângulos nos quais o modelo de luz rápida funciona bem. O maior impacto virá com a próxima geração de observatórios, como o Black Hole Explorer, que buscará sinais ainda mais sutis.

A equipe do Event Horizon Telescope trabalha atualmente para produzir um filme de M87*. Quando essas imagens em movimento forem divulgadas, cada quadro revelará mais do que aparenta, trazendo à tona a história recente de um dos ambientes espaço-temporais mais extremos do Universo.