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Planetas gigantes podem se formar em discos de buracos negros supermassivos
Os AGNs, localizados no centro das galáxias, são regiões extremamente brilhantes e turbulentas, alimentadas por buracos negros supermassivos
Planetas gigantes podem nascer nas regiões turbulentas dos discos que cercam buracos negros supermassivos, segundo uma nova simulação. O estudo sugere que núcleos galácticos ativos (AGNs) podem abrigar milhões de mundos semelhantes a Júpiter, desafiando a ideia de que esses ambientes seriam hostis à formação planetária.
Os AGNs, localizados no centro das galáxias, são regiões extremamente brilhantes e turbulentas, alimentadas por buracos negros supermassivos. Nessas áreas, o brilho intenso é resultado do atrito entre gás e poeira que orbitam o buraco negro, chegando a superar o brilho de todas as estrelas da galáxia somadas.
Esses núcleos surgem quando grandes quantidades de matéria formam discos de acreção ao redor de buracos negros com massas milhões ou bilhões de vezes superiores à do Sol. Enquanto parte do material é absorvida pelo buraco negro, outra parcela é expelida em jatos de plasma a velocidades próximas à da luz, liberando energia suficiente para emitir radiação intensa em todo o espectro eletromagnético.

Apesar de parecerem ambientes inóspitos, as bordas desses discos podem apresentar condições semelhantes às dos discos protoplanetários de estrelas jovens. Isso motivou pesquisadores a simular se a poeira poderia se aglomerar e evoluir, formando planetas ao longo de milhões de anos.
Os resultados indicam que milhões de planetas com massa igual ou superior à de Júpiter podem surgir a dezenas de parsecs do buraco negro central. Esses corpos, chamados de "gigantes de poeira", seriam semelhantes a bolas de lava, formados por instabilidade de fluxo — um processo que gera filamentos densos, propícios ao nascimento de planetas em grande quantidade.
Embora estáveis, esses planetas tenderiam a migrar para longe do núcleo ativo com o passar do tempo. O fenômeno surpreendeu os autores do estudo, já que nunca havia sido observado esse tipo de formação planetária em discos de AGN por meio desse modelo.
Ainda é cedo para confirmar a teoria, mas os cientistas sugerem que técnicas como a lente gravitacional podem ajudar a detectar esses planetas nas regiões periféricas dos discos. Encontrar um AGN com condições ideais, no entanto, será um desafio — exigindo o aprofundamento dos estudos sobre esses modelos e das áreas externas dos discos de acreção.


