Ciência, tecnologia e inovação

Ritual ou massacre? Cientistas descobrem cemitério neolítico com 77 esqueletos sem crânios

Estudo realizado na Eslováquia aponta que restos mortais de 7 mil anos podem estar ligados a práticas funerárias e não a um episódio de violência coletiva

Por Sputnik Brasil 10/06/2026 10h10
Ritual ou massacre? Cientistas descobrem cemitério neolítico com 77 esqueletos sem crânios
Sítio arqueológico de Vrable reúne dezenas de esqueletos datados de cerca de 7 mil anos - Foto: © Foto / Arqueologia para Vestfália/C. Bariszlovich

Arqueólogos na Eslováquia revelaram um cemitério intrigante de 7 mil anos, associado ao início do período neolítico na Europa, conforme divulgado pela revista Archaeology News.

Em Vrable, um antigo e próspero assentamento agrícola que existiu entre 5250 e 4950 a.C., os pesquisadores localizaram uma vala contendo dezenas de esqueletos humanos, a maioria sem crânios.

"À primeira vista, o achado parece indicar um massacre. Há corpos deitados uns sobre os outros em posições diferentes, sem uma ordem aparente. No entanto, um novo estudo [...] sugere uma explicação diferente. Os pesquisadores argumentam que os restos mortais se encaixam em um padrão mais amplo de práticas de sepultamento e de tratamento corporal, não sendo, portanto, evidência clara de violência em larga escala", detalha a matéria.

Exemplos de diferentes tratamentos e estados de preservação de restos humanos em Vrable.
Exemplos de diferentes tratamentos e estados de preservação de restos humanos em Vrable.

De acordo com o artigo, Vrable é um dos maiores assentamentos do início do Neolítico na Europa Central, com mais de 300 estruturas residenciais, sendo que até 80 delas estiveram ocupadas simultaneamente em determinados períodos.

Expedições realizadas desde 2022 identificaram uma concentração expressiva de pelo menos 78 indivíduos em um fosso próximo à entrada do recinto, dos quais 77 estavam sem os crânios. Apenas uma criança foi encontrada com o crânio intacto, segundo a reportagem.

A datação por radiocarbono associa esses sepultamentos ao período de ocupação do local e indica que ocorreram em um intervalo relativamente curto. Marcas de corte nas vértebras cervicais sugerem a remoção intencional e cuidadosa dos crânios logo após a morte.

A concentração dos restos no fosso integra um padrão mais amplo observado no sítio, que inclui sepulturas completas, ossos isolados, pares de indivíduos decapitados e grupos mistos de restos esqueléticos — elementos que apontam para a repetição de práticas funerárias ou rituais, em vez de um evento isolado.

Análises em andamento de marcas de corte, traumas, DNA e isótopos buscam esclarecer as relações, origens e mobilidade dos indivíduos, além de investigar se a remoção dos crânios refletia crenças específicas sobre morte, identidade ou ancestralidade, conclui o texto.