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Naufrágios revelam vestígios inéditos da era dos piratas nas Bahamas
Pesquisadores localizaram seis sítios de naufrágios em Nassau e arredores, sendo três deles datados da chamada Era de Ouro da Pirataria
Pela primeira vez nas Bahamas, pesquisadores identificaram naufrágios ligados aos autênticos piratas caribenhos, proporcionando um raro vislumbre da vida marítima de uma das comunidades fora da lei mais notórias da história. A revelação, publicada pela revista Archaeology News, destaca a importância dos achados para a compreensão do cotidiano e das embarcações utilizadas por esses piratas.
Segundo a publicação, foram localizados seis sítios de naufrágios em Nassau e arredores, sendo três deles datados da chamada Era de Ouro da Pirataria, entre o final do século XVII e o início do século XVIII.
"No início do século 18, Nassau, na Ilha de Nova Providência, serviu de refúgio para figuras como Henry Avery, Barba Negra, Benjamin Hornigold, Calico Jack Rackham e Anne Bonny. Centenas de piratas se reuniam ali para consertar navios, dividir bens roubados e planejar incursões pelo mundo atlântico", detalha a publicação.
Apesar da fama de Nassau como capital dos piratas, nunca antes haviam sido encontrados navios diretamente relacionados às atividades desses grupos nas águas locais, conforme ressalta a reportagem.
Arqueólogos marinhos explicam que, embora a cultura popular tenha construído uma imagem dramática dos piratas, muitos aspectos de suas embarcações e do cotidiano permaneciam desconhecidos. A pesquisa enfrentou desafios como correntes marítimas intensas, vasta área de busca e a presença de tubarões.
Utilizando levantamentos subaquáticos e relatos de mergulhadores locais, a equipe recuperou artefatos como canhões de ferro, balas de mosquete, uma pedra para amolar espadas e armamento pesado, incluindo canhões giratórios. Em um dos naufrágios, foram preservadas a estrutura de madeira e sinais de queima sob um monte de lastro.
Outro local, sob uma ponte antiga em águas habitadas por tubarões-touro, revelou casco, pranchas, aparelhamento, tijolos da cozinha de bordo, garrafas de vidro, grades e dezenas de cachimbos de argila com desenhos e lema real. A carga, datada de Londres por volta de 1740, parece pertencer a um comerciante inglês que chegou após o declínio da pirataria.
Os pesquisadores apontam que era comum os piratas saquearem e queimarem embarcações capturadas para eliminar vestígios, explicando os destroços com sinais de incêndio. Por outro lado, a descoberta de bens comerciais sugere que Nassau buscava se reconstruir por meio do comércio após anos de violência.
Além dos mergulhos, a expedição utilizou mapas, documentos históricos e investigou locais em terra associados à presença de piratas. As descobertas retratam Nassau como um porto de fronteira e posto avançado de lazer, distante da imagem romantizada pelos filmes. O estudo também evidencia as pressões econômicas e as condições navais que impulsionaram homens à pirataria, conclui o artigo.


