Ciência, tecnologia e inovação
James Webb identifica uma das galáxias mais primitivas já observadas no Universo
Estudo revela que a LAP1-B possui baixíssima concentração de metais e oferece pistas sobre os primeiros momentos após o Big Bang
Um novo estudo baseado em observações do telescópio espacial James Webb Space Telescope revelou uma das galáxias mais primitivas já identificadas pelos astrônomos. Batizada de LAP1-B, a estrutura existia cerca de 800 milhões de anos após o Big Bang e apresenta a menor abundância de metais já detectada em uma galáxia do Universo antigo.
A pesquisa foi liderada por Kimihiko Nakajima, da Universidade de Kanazawa, e teve seus resultados publicados na revista científica Nature em maio deste ano.
Os cientistas consideram a descoberta um importante passo para compreender como eram as primeiras galáxias formadas após o nascimento do Universo.
Janela para o passado cósmico
Após o Big Bang, o Universo era composto quase exclusivamente por elementos leves, como hidrogênio e hélio. Os chamados metais — termo utilizado pela astronomia para designar elementos mais pesados, como carbono, oxigênio e ferro — surgiram posteriormente, produzidos no interior das primeiras estrelas e espalhados pelo espaço após suas explosões.
Por isso, encontrar galáxias com baixíssima concentração desses elementos é uma das formas mais eficazes de estudar os estágios iniciais da evolução cósmica.
A identificação da LAP1-B só foi possível graças à combinação da alta sensibilidade do James Webb com um fenômeno conhecido como lente gravitacional. Nesse caso, um aglomerado de galáxias localizado entre a Terra e a LAP1-B ampliou a luz emitida pelo objeto distante, permitindo que os pesquisadores realizassem uma análise química detalhada.
“Fiquei imediatamente entusiasmado com a extrema falta de oxigênio revelada nos dados. Encontrar uma galáxia em um estado tão primitivo é surpreendente. É uma assinatura química que indica claramente uma galáxia primordial capturada nos momentos logo após sua formação”, afirma Nakajima em comunicado.
Busca por galáxias ainda mais antigas
Os pesquisadores acreditam que a metodologia empregada no estudo poderá ajudar na identificação de galáxias ainda mais antigas e primitivas, ampliando o conhecimento sobre os primeiros bilhões de anos da história do Universo.
Além de confirmar a capacidade do James Webb de observar objetos extremamente distantes, a descoberta reforça a importância da análise química das galáxias para compreender como surgiram os elementos que mais tarde possibilitaram a formação de estrelas, planetas e, eventualmente, da própria vida.
*Informações de Metrópoles Ciência


