Ciência, tecnologia e inovação

Estudo revela segredos de sepultamentos medievais em mosteiro espanhol

Pesquisa em mosteiro de Barcelona identificou 25 indivíduos e trouxe novas informações sobre costumes funerários e vida no século XIV.

Por Sputnik Brasil 01/06/2026 12h12
Estudo revela segredos de sepultamentos medievais em mosteiro espanhol
Estudo identificou vestígios que ajudam a compreender práticas funerárias e aspectos da vida medieval - Foto: © AP Photo / Emilio Morenatti

Pesquisadores que analisaram o Mosteiro Real de Santa Maria de Pedralbes, em Barcelona, trouxeram à tona informações inéditas sobre os indivíduos sepultados no local durante o século XIV, conforme divulgado pela revista Archaeology News.

O projeto, iniciado para celebrar os 700 anos do mosteiro, examinou oito túmulos do período inicial e identificou os restos mortais de 25 pessoas.

"Para o primeiro estudo em larga escala dos enterros fundadores do mosteiro, os pesquisadores reuniram especialistas em arqueologia, antropologia física, restauração, arqueobotânica e genética. O trabalho incluiu a abertura de tumbas, a documentação de seu conteúdo, a análise de restos humanos e de objetos funerários e a posterior restauração e reenterro dos materiais", destaca a publicação.
Sarcófago da rainha Elisenda dentro do Mosteiro Real de Santa Maria de Pedralbes.
Sarcófago da rainha Elisenda dentro do Mosteiro Real de Santa Maria de Pedralbes.

De acordo com a reportagem, a pesquisa oferece uma nova perspectiva sobre as práticas funerárias e a vida em comunidade na época. Um dos sepultamentos mais notáveis revelou uma mulher de alto status social, enterrada em um caixão de madeira dentro de uma estrutura maior.

Os vestígios apontam para uma idade avançada e sinais de doenças relacionadas ao envelhecimento. Próximo ao corpo, foram encontrados fragmentos de roupas modestas e materiais nobres, além de oferendas de plantas utilizadas em rituais fúnebres.

Sepulturas próximas apresentaram descobertas inesperadas, como túmulos com múltiplos indivíduos de diferentes idades e sexos, evidências de reutilização ao longo do tempo, cabelos preservados, marcas de traumas nos ossos e até mesmo os restos de uma mulher grávida com o feto.

Outros achados, como fragmentos de textos escritos, notação musical e lesões esqueléticas, forneceram novas pistas sobre o cotidiano, as condições de saúde e possíveis episódios de violência na comunidade religiosa.

No geral, o estudo destaca a diversidade dos costumes funerários e o uso intensivo de materiais orgânicos nos rituais. As análises científicas em andamento, incluindo exames de DNA e de materiais, prometem aprofundar o conhecimento sobre a estrutura social e as origens das pessoas enterradas neste cenário medieval, conclui a reportagem.