Ciência, tecnologia e inovação
Camas pré-históricas revelam hábitos sofisticados de humanos há 200 mil anos
Estudo identifica estruturas de vegetação utilizadas por humanos da Idade da Pedra em caverna no sul da África
Estudo recente revela que humanos da Idade da Pedra, habitantes da Caverna Border, na África, construíam camas de palha complexas há cerca de 200 mil anos, segundo a revista Archaeology News.
Localizada no alto das Montanhas Lebombo, na fronteira entre a atual África do Sul e o Reino da Suazilândia, a Caverna Border é alvo de escavações desde a década de 1930. Pesquisas recentes identificaram restos orgânicos excepcionalmente preservados, incluindo colchões de grama antigos.
"Os povos da Idade da Pedra Média que habitavam a Caverna Border, no sul da África, construíam e mantinham camas de vegetação por mais de 150 mil anos [...]. A pesquisa oferece uma das visões mais claras, até o momento, sobre como os primeiros humanos organizavam seus espaços domésticos entre 200 mil e 43 mil anos atrás", destaca a publicação.
De acordo com o estudo, análises microscópicas dos depósitos da caverna revelaram seis microfácies de camadas distintas, refletindo diferentes práticas de construção e manutenção e ampliando o conhecimento sobre a diversidade de estruturas habitacionais antigas.
Parte desses padrões se assemelha aos encontrados em outros sítios da Idade da Pedra na África, enquanto outros são únicos, apresentando variações no uso de cinzas, disposição das plantas, além de indícios de pisoteio e queimaduras, sugerindo diferentes hábitos de vida.
As evidências indicam que as camadas de vegetação eram frequentemente colocadas sobre cinzas ou misturadas a elas, provavelmente para melhorar o isolamento térmico, facilitar a secagem e controlar insetos. Essas práticas teriam sido mantidas por longos períodos.
Os depósitos ainda mostram sinais claros de manutenção contínua, como a adição de material vegetal fresco, queimadas repetidas e pisoteio. Algumas camadas preservam esteiras de grama complexas e multicamadas.
As diferenças entre as camadas mais antigas e mais recentes, bem como atividades inesperadas em certos sedimentos, apontam para padrões de ocupação em mudança. A seleção de plantas e a organização espacial revelam um manejo precoce e estruturado dos ambientes de vida, conclui a reportagem.

