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Temperatura global deve atingir níveis recordes até 2030
Relatório da ONU aponta risco crescente de superação temporária da meta de 1,5°C prevista no Acordo de Paris
As temperaturas médias globais devem permanecer próximas de níveis recordes nos próximos cinco anos, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (28) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Met Office, serviço meteorológico do Reino Unido.
O estudo aponta que a temperatura média global próxima à superfície deverá ficar entre 1,3°C e 1,9°C acima dos níveis pré-industriais registrados entre 1850 e 1900.
De acordo com o relatório, existe alta probabilidade de que o planeta ultrapasse temporariamente o limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris por pelo menos um ano entre 2026 e 2030.
A meta climática foi definida em 2015, quando países signatários do acordo se comprometeram a limitar o aumento da temperatura global para evitar impactos mais severos das mudanças climáticas.
Os pesquisadores também avaliam que há possibilidade de um novo recorde histórico de temperatura global ser registrado até o fim da década, superando 2024, considerado atualmente o ano mais quente já documentado.
Segundo Melissa Seabrook, cientista do Met Office, o aquecimento global segue avançando de forma consistente e a margem para manter o aumento médio da temperatura em até 1,5°C está diminuindo rapidamente.
O relatório destaca ainda que o Ártico deve aquecer em velocidade superior à média global. As temperaturas durante o inverno no hemisfério norte poderão atingir níveis cerca de 2,8°C acima da média registrada entre 1991 e 2020.
Os pesquisadores também projetam redução do gelo marinho em áreas como o Mar de Barents, o Mar de Bering e o Mar de Okhotsk ao longo da próxima metade da década.
Além do aumento das temperaturas, o documento prevê eventos climáticos mais severos em diferentes regiões do planeta. O hemisfério norte deverá registrar períodos mais úmidos, especialmente no norte da Europa, Alasca, Sibéria e Sahel, enquanto a Amazônia poderá enfrentar condições mais secas.
O relatório também aponta possibilidade de um forte fenômeno El Niño ainda neste ano, com efeitos que podem se prolongar até 2027, contribuindo para novas elevações nas temperaturas globais.
*Com informações da Reuters


