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James Webb detecta nuvens de areia em exoplaneta gigante

Observações inéditas revelaram ciclo diário de nuvens de silicato em WASP-94A b, localizado a 690 anos-luz da Terra

Por Sputnik Brasil 25/05/2026 08h08 - Atualizado em 25/05/2026 09h09
James Webb detecta nuvens de areia em exoplaneta gigante
Estudo revelou detalhes inéditos da atmosfera do planeta WASP-94A b, localizado a 690 anos-luz da Terra - Foto: © Foto / NASA, CSA, ESA, J. Olmsted (STScI), Science: N. Madhusudhan (Universidade de Cambridge)

Pela primeira vez, o Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, registrou o ciclo meteorológico diário no exoplaneta WASP-94A b.

Nesse planeta gasoso, as manhãs começam com o céu coberto por nuvens de silicato de magnésio vaporizado — o mesmo mineral presente na areia terrestre. Porém, ao entardecer, essas nuvens se dissipam, deixando o céu noturno limpo.

Essa condição permitiu aos astrônomos obter dados inéditos e precisos sobre a composição química da atmosfera desse chamado "Júpiter quente" — um tipo de gigante gasoso exposto a temperaturas extremas por orbitar muito próximo de sua estrela, conforme detalhado pelo portal Phys.org.

Localizado a cerca de 690 anos-luz da Terra, WASP-94A b orbita uma das duas estrelas do sistema. O planeta possui 1,7 vez o tamanho de Júpiter, mas está muito mais próximo de sua estrela, a apenas 8,2 milhões de quilômetros, completando uma volta em torno dela em apenas quatro dias e atingindo temperaturas superiores a 1.200 °C. Nessas condições, as nuvens não são formadas por vapor d’água, mas por metais e rochas vaporizados — verdadeiras tempestades de areia voláteis.

Segundo o professor David Sing, da Universidade Johns Hopkins, que liderou o estudo, determinar a composição química desses planetas sempre foi um desafio devido à densa nebulosidade, comparando a tarefa a tentar "ver o planeta através de uma janela embaciada". A equipe investigou se esses mundos permaneciam sempre encobertos por nuvens.

Os astrônomos acompanharam o trânsito de WASP-94A b — quando o planeta passa em frente ao disco de sua estrela. Nesse momento, a luz estelar atravessa a atmosfera do planeta e é absorvida por diferentes gases, permitindo aos cientistas identificar sua composição por meio dessa "impressão digital". O JWST possibilitou examinar separadamente as duas bordas do planeta durante o trânsito: a "manhã" e a "noite".

Na borda onde começa o dia e o ar flui do lado noturno para o diurno, foram detectadas nuvens abundantes de silicato de magnésio. Já na borda noturna, as nuvens desaparecem, revelando uma atmosfera dominada por hidrogênio. Antes, o Telescópio Espacial Hubble não conseguia separar os sinais das duas bordas, levando à falsa impressão de que WASP-94A b tinha centenas de vezes mais oxigênio e carbono que Júpiter — algo improvável para um gigante gasoso. Agora, com o JWST, os cientistas descobriram que a concentração desses elementos é apenas cinco vezes maior que a de Júpiter, revelando que WASP-94A b é, na verdade, um planeta bastante comum em sua categoria.