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Pesquisa mapeia poluição sonora em bairro de Arapiraca

Estudo mapeou o tráfego veicular do bairro Brasília com o objetivo de evidenciar as problemáticas sonoras presentes na região

Por Ascom Ufal 19/05/2026 17h05 - Atualizado em 19/05/2026 17h05
Pesquisa mapeia poluição sonora em bairro de Arapiraca
Estudo analisa poluição sonora em bairro de Arapiraca - Foto: Assessoria

Um estudo realizado no Campus Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) buscou mapear e analisar o ruído proveniente do tráfego veicular no bairro Brasília, uma das regiões mais movimentadas da cidade.

A investigação foi conduzida pela egressa do curso de arquitetura e urbanismo da Ufal Campus Arapiraca, Mary Donato, sob orientação da professora Elisabeth de Albuquerque, e integra o Grupo de Estudos do Ambiente Sonoro (Geas). 

O objetivo central consiste em compreender os processos de propagação sonora no tecido urbano, e desenvolver um instrumento de planejamento urbano voltado à dimensão sonora, capaz de subsidiar futuras intervenções na cidade. Atualmente, o Geas já conseguiu mapear alguns bairros em Arapiraca, como Centro, Eldorado, Baixa Grande, Brasiliana, Capiatã, Senador Teotônio Vilela, Itapoã e Brasília.

A pesquisa foi reconhecida com o prêmio de Excelência Acadêmica da Ufal e, segundo a orientadora do estudo, a premiação representou uma grande conquista não apenas para Arapiraca, mas também para a ciência produzida no estado de Alagoas. Além desse reconhecimento local, a pesquisa foi apresentada, no ano de 2025, em um congresso sediado em São Paulo.

Contribuição para a sociedade

Segundo a estudante Mary Donato, dentre os fatores que motivaram a realização da pesquisa, o principal deles foi a ausência de critérios acústicos no atual Plano Diretor da cidade de Arapiraca, resultando em um apagamento da poluição sonora dentro do planejamento urbano.

O crescimento considerável do município e o início da verticalização intensificaram problemas associados à urbanização, a impermeabilização do solo, a redução de áreas verdes e o aumento expressivo da frota de veículos e do fluxo viário.

Outro fator que o estudo chama a atenção é que a poluição sonora já é reconhecida como uma das principais formas de poluição nas cidades, afetando diretamente a saúde e o bem-estar da população e evidenciando a escassez de mapas acústicos no Brasil. Esse tipo de mapeamento se concentra em grandes cidades, como é o caso do Rio de Janeiro e em São Paulo, devido ao alto custo e complexidade do processo.

A pesquisa também ganha relevância por ser desenvolvida em Arapiraca, no Agreste alagoano, fugindo do padrão mais comum de estudos concentrados em grandes capitais. Isso reforça a ideia de que a poluição sonora não é um problema exclusivo dos grandes centros, mas também está presente em cidades médias, e que iniciativas como essa podem contribuir para colocar o tema em evidência e apoiar futuras ações no município.

Resultados da pesquisa


Além de chamar atenção para a importância desse tipo de mapeamento, a pesquisa buscou evidenciar e alertar sobre a saúde urbana de Arapiraca.

“Em todos os pontos analisados, os níveis de ruído ficaram acima de 55 dB, que é o limite recomendado pela NBR 10151 para áreas residenciais ou mistas. Em vias arteriais, esses valores passam de 70 dB. Para ter uma ideia, a partir desse nível o ruído já pode afetar diretamente a saúde, estando relacionado a problemas como hipertensão, doenças cardiovasculares, além de estresse e dificuldades no sono”, explica a pesquisadora Mary Donato.

Conforme o estudo realizado, existem áreas sensíveis como regiões residenciais e escolas que estão expostas a níveis de ruído inadequados. Segundo Mary Donato, um exemplo é a Escola Municipal 31 de março, que fica próxima a uma via coletora e registra níveis entre 60 e 70 dB, quando o recomendado para ambientes educacionais é em torno de 50 dB, esse excesso de ruído compromete o conforto acústico e pode prejudicar o processo de aprendizagem, alerta Mary.

Perspectivas para o futuro

O mapeamento acústico em Arapiraca, liderado pelo grupo Geas, teve início em 2021 e já foi realizado em nove bairros. Mais quatro estão em processo de mapeamento acústico.

De acordo com a professora e orientadora do estudo, Elisabeth de Albuquerque, a pesquisa pretende ter continuidade, já que é um processo longo e requer um período mais extenso de dedicação para concluir o mapeamento.

Além disso, o grupo busca integrar outras frentes de estudos relacionados à área de acústica urbana em Arapiraca, como desenvolver trabalhos sobre estratégias de mitigação do ruído de tráfego veicular; estudos relacionados à paisagem sonora para compreender como os moradores percebem sonoramente a cidade e desenvolver mecanismos digitais para disponibilizar os mapas acústicos desenvolvidos ao longo da pesquisa bem como as análises dos resultados.

Para acessar o estudo completo, confira o artigo na íntegra por meio deste link. E acompanhe as novidades através do Instagram oficial do grupo.