Ciência, tecnologia e inovação

Estudo aponta rachadura geológica que pode dividir a África no futuro

Pesquisadores identificaram sinais de conexão entre a superfície e o manto terrestre em região da Zâmbia

Por Redação com Metrópoles 13/05/2026 10h10
Estudo aponta rachadura geológica que pode dividir a África no futuro
Continente africano - Foto: Freepik

Pesquisadores identificaram evidências de uma grande rachadura geológica na região da Fenda de Kafue, na Zâmbia, que pode representar um estágio inicial da separação do continente africano.

O estudo foi conduzido por cientistas da University of Oxford e publicado na revista científica Frontiers in Earth Science. A pesquisa analisou gases presentes em fontes geotérmicas localizadas na região.

Segundo os pesquisadores, os isótopos de hélio encontrados possuem características semelhantes às do manto terrestre, indicando que a rachadura já atravessa profundamente a crosta da Terra.

“As fontes termais ao longo da falha de Kafue apresentam assinaturas de isótopos de hélio que indicam uma conexão direta com o manto terrestre, localizado entre 40 e 160 km abaixo da superfície da Terra. Essa conexão fluida é uma evidência de que a falha de Kafue está ativa e, portanto, a Zona de Rift do Sudoeste Africano também está — podendo ser um indício precoce da fragmentação da África subsaariana”, afirmou o pesquisador Mike Daly.

Durante a investigação, os cientistas analisaram amostras coletadas em oito poços e fontes geotérmicas da região. Os resultados revelaram concentrações elevadas de certos isótopos de hélio e dióxido de carbono, reforçando a hipótese de uma conexão entre o interior da Terra e a superfície.

Os dados também foram comparados com informações do Sistema de Rift da África Oriental, uma das regiões tectônicas mais ativas do planeta, e apresentaram características semelhantes.

Apesar da descoberta, os pesquisadores destacam que uma eventual divisão do continente ainda levaria milhões de anos para acontecer. O estudo também sugere que outras áreas da África podem possuir falhas geológicas ativas ainda pouco conhecidas.